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Blog da jornalista Olívia de Cássia | |||||||||||||||
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Monsenhor Donald – Missa do Sétimo Dia
Na próxima sexta-feira, às 9 horas da manhã, em União dos Palmares, acontece a missa de sétimo dia de falecimento do monsenhor Donald Macgillivray, que foi pároco da Igreja Matriz de Santa Maria Madalena durante 30 anos. Padre Donald, como era conhecido na região, estava convalescendo em sua terra natal, o Canadá, onde faleceu. No próximo dia 23 seria o seu aniversário de 84 anos.. O pároco chegou à cidade no fim da década de 60 e dedicou sua vida às comunidades mais pobres. Humilde, caridoso, conselheiro, era amado pelo povo palmarino, que está de luta pelo seu falecimento. Vários padres em Maceió já celebraram missas em ação de graças pelo falecimento do pároco.. No sábado ele será sepultado, no Canadá... Escrito por Olívia às 21h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Na comunidade de Santa Fé várias famílias vivem sem água, sem banheiros, sem segurança e sem dignidade; são os esquecidos da sociedade que reclamam da falta de assistência
Reportagem e fotos de Olívia de Cássia Correia de Cerqueira
Olívia de Cássia Repórter Cerca de 110 famílias com cinco pessoas em cada núcleo (que corresponde a uma média de 500 pessoas, entre homens, jovens, mulheres e crianças) vivem em 21 pavilhões, em um espaço na comunidade de Santa Fé, em União dos Palmares, que foi construído no governo Suruagy para funcionar um presídio que nunca funcionou e foi abandonado. O terreno é da União, já serviu de centro de treinamento da Polícia Militar e depois foi abandonado. Os primeiros moradores chegaram lá em 1989 fugidos de uma grande enchente do Rio Mundaú. Hoje vivem em condições subumanas, sem água encanada para suprir as necessidades básicas de higiene e da lida doméstica, sem banheiros e sem segurança. Alguns pavilhões ainda têm as camas de cimento que foram construídas para os presos que nunca chegaram lá. Na comunidade, o único ponto de água para abastecer os 21 pavilhões é um chafariz que fica localizado em frente ao posto de saúde e à Escola Municipal Maria Mariá de Castro Sarmento. Bem próximo ao chafariz há um esgoto que já despejou até fezes, segundo o agente de Saúde Manoel Francisco. Em alguns pavilhões da Santa Fé moram de três a cinco famílias, em local escuro e sem ventilação, pois as janelas foram todas fechadas. Essa concentração e aglomeração de pessoas geram promiscuidade, consumo de drogas e houve denúncia de casos de prostituição no local. “A questão da droga não é de agora, além disso, tem a questão da prostituição; se você chegar ao lugar em tempo chuvoso não agüenta, as pessoas não têm dignidade”, observa Manoel. Segundo o agente de saúde, deveria ter um movimento sério para que o Ministério Público tomasse providências, como a colocação de sanitários coletivos, banheiros e para a falta de segurança que é muito grande. Outra reclamação é que não há unidade entre as pessoas que vivem ali e a lei que funciona é a do mais forte. A grande maioria sobrevive com a ajuda do Programa Bolsa-Família do governo federal e não tem outra fonte de renda. Para cozinhar os alimentos, quando os tem, eles construíram estruturas toscas, de barro e taipa, fora dos galpões. Outros fizeram quartinhos com o mesmo material que as mulheres chamam de casinha de cozinhar o feijão e utilizam as lenhas que pegam ao redor e nas matas para cozerem os alimentos. Uma senhora albina se destaca entre os moradores do local. Ela não quis responder às perguntas formuladas pela reportagem e disse que não sabe há quanto tempo está ali. “Meu marido é quem sabe, eu não sei”, disse ela. Os moradores dos pavilhões da Santa Fé perderam a cidadania; alguns não têm documento de identificação e até pedem esmolas nas ruas de União dos Palmares. São muito desconfiados com relação à presença de estranhos, que não fazem parte daquela situação. Manoel Francisco diz que a médica que atende a comunidade foi agredida e agora só vai ao posto se tiver segurança. “Não há controle de quem chega ali; logo no início havia controle; a prefeitura procurava saber de onde vinham os desabrigados e cadastrava, mas agora não tem”, observa. Seu José Américo da Silva Filho, seu Zezinho como é mais conhecido, tem seis filhos: quatro moram em Maceió e dois em um dos pavilhões. Ele conta que chegou ao local há 18 anos. “Desde a cheia de 89 que estou aqui, estava sem emprego e vim com minha família e outros desabrigados”. Ele diz que foi ficando e atualmente não tem para onde ir. “Trabalho no campo desde os sete anos e preciso arrumar um emprego fixo”, apela. Seu Zezinho observa que sente falta de assistência para a comunidade, que é muito pobre. Ele diz que falta moradia e emprego para a maioria dos desabrigados e ressalta que até agora não viu nenhuma autoridade chegar ao local para prestar assistência aos moradores da comunidade. “Vi o prefeito no dia da política (eleição), ele prometeu tirar a gente daqui e até agora nada; eu trabalho clandestino, na roça, plantando capim e cavando; vivo de biscate”, explica. Maria Tamires tem 20 anos, está no oitavo mês de gestação, tem mais duas crianças: uma de um ano e outra de dois e diz que chegou ao local quando tinha cinco anos. “Cheguei aqui com minha mãe, meu pai e uma irmã; morava na Vila Kennedy, em União, mas não tinha condições de pagar aluguel, a casa não estava muito boa e há quinze anos estou aqui”, explica. Tamires observa que no local não tem banheiros e por isso as pessoas jogam as fezes em qualquer local. “De dia a gente faz num penico e depois joga; à noite a gente faz em qualquer local”. Além de jogar as fezes em qualquer lugar, em saco plástico, a comunidade dos pavilhões da Santa Fé também faz as necessidades fisiológicas em uma das unidades construídas, onde era para funcionar um restaurante. Ali o mau cheiro e a sujeira são insuportáveis. (continua no próximo bloco) Escrito por Olívia às 14h29 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] SUJEIRA E LIXO
Olívia de Cássia Repórter
Fotos: Olívia de Cássia Correia de Cerqueira
Outro problema da comunidade é o lixo espalhado no terreno, o esgoto corre a céu aberto e as crianças convivem descalças com cachorros sarnentos e outros animais como porcos, galinhas e gatos que se espalham nos quintais. Falta política pública de educação e assistência para atender a tanta gente. Na comunidade há um posto de saúde e uma escola e as crianças freqüentam as aulas por causa da merenda. Segundo o agente de Saúde Manoel Francisco, o médico foi embora porque foi agredido e a médica substituta foi duas vezes, mas também já foi ameaçada. A professora Cristiane Sotero é estudante de matemática na Uneal (Universidade Estadual de Alagoas), em União dos Palmares, e ensina uma turma do terceiro ano na Escola Maria Mariá, desde 2004. Ela diz que a escola tem alunos do primeiro ao nono ano e à noite funciona com turmas de alfabetização de jovens e adultos. Cristiane conta que o relacionamento entre professor e alunos é o de ser conciliador. “Tento ser mãe ao mesmo tempo e já cheguei a dar banho em aluno na escola”, destaca. Ela explica que a maior parte dos alunos da Maria Mariá é de alunos dos pavilhões, mas também tem clientela do povoado. “A escola tem toda estrutura para funcionar: tem seis salas e uma extensão com mais duas salas; o posto de saúde é vizinho e qualquer coisa que acontece ao aluno nós encaminhamos para lá”. Cristiane observa que tenta amenizar a situação e dar o carinho que os pais dos alunos não dão aos seus filhos. “A escola é de fundamental importância; é zona rural, mas está incluída como escola-núcleo”, explica. Ela acrescenta que a escola dá muito apoio e conversa com os pais dos alunos. “Em comparação com as escolas do município a da comunidade de Santa Fé é boa e tem o apoio da Secretaria Municipal de Educação”, informa. VIOLÊNCIA A professora relata que há muita violência na comunidade. “Tinha um morador que exibia uma arma; teve caso de nora matando a sogra de facão”. Ela conta que também já foi ameaçada por uma mãe de aluno, mas que a direção da escola teve uma conversa com a mulher e o caso foi resolvido. Cristiane observa que no local há muitos casos de negligência das mães com os filhos. “Elas deixam as crianças em casa e não orientam para que freqüentem a escola; várias vezes fui buscar aluno em casa, eles são carentes de aprendizagem devido a miséria em que vivem e ficam esperando a merenda escolar para se alimentarem”, explica. SERVIR BEM “O melhor meio de ser bem-vindo é servir bem”, diz uma frase estampada em um dos pavilhões da Santa Fé. A filosofia da frase chega a ser irônica para quem vive a realidade da comunidade. Tem morador que chegou ali há vinte anos e já perdeu as referências e a perspectiva de vida. Vive apenas em troca da cesta básica do governo e à espera de ganhar uma casa. Muitos não procuram emprego e vivem na ociosidade, fato que está gerando o consumo de drogas e prostituição como foi denunciado à reportagem. Impossível se imaginar que alguém consiga viver daquela forma. Nestor Félix é o presidente da recém-criada Associação dos Moradores de Sem-Teto de União dos Palmares e argumenta que a situação das pessoas que moram nos pavilhões da Santa Fé é muito preocupante. Segundo ele, a entidade chegou ao local há trinta dias e está fazendo o cadastramento dos moradores. “Já cadastramos 95 famílias, mas ainda tem mais para cadastrar; fizemos reuniões no local e explicamos aos moradores que a associação não garante casas, mas que vai desenvolver ações no sentido de que as autoridades vejam a questão. Vamos tentar trazer rondas da polícia, trazer água encanada e uma lavanderia comunitária”, argumenta. Rosineide Maria da Silva tem 36 anos, trabalha como doméstica em União e é coordenadora da Associação dos Sem-Teto. Ela diz que chegou ao pavilhão onde mora há mais ou menos oito anos. “Não tinha condição de pagar aluguel, tenho dois filhos e estudo à noite na escola no Programa Brasil Alfabetizado, para receber o Bolsa-Família que recomenda a freqüência na escola e estar em dia com a vacinação da comunidade”, explica. Casos como os de Rosineide, seu Zezinho e Tamires se multiplicam nos pavilhões da comunidade de Santa Fé. Sebastião Barbosa Alves diz que está no local há 16 anos e foi pelo mesmo motivo dos outros moradores: não tinha para onde ir nem casa para morar. Ele tem quatro filhos e um bebê de sete meses e, como a maioria, sobrevive do Bolsa-Família. Diz que trabalhava em fazenda e que ficou desempregado: “Agora vivo de bico; a morada aqui é tranqüila, diz. AÇÃO SOCIAL A secretária de ação Social do município, Lídia Campos, disse que a Prefeitura de União dos Palmares tem vários projetos desenvolvidos com a comunidade. “Temos trabalhos de levantamento das pessoas que foram atingidas na época das enchentes; o problema é que os desabrigados recebem as casas e voltam para o mesmo local onde moravam, sendo vítimas das enchentes que se seguem”, argumenta. Lídia explicou que além da prefeitura, a comunidade de Santa Fé recebe ajuda de instituições que fazem trabalhos sociais e de pessoas da comunidade. “Vários projetos são enviados para Brasília. Mandamos levantamento, por meio da Defesa Civil, e o governo só mandou recursos para 780 moradias que foram construídas no Conjunto Padre Donald”, destacou. A secretária disse ainda que na medida do possível a Secretaria Ação Social está olhando e assistindo essas pessoas. “A Igreja, Federação Espírita e outras entidades do município têm trabalhado no sentido de amenizar a questão. Sabemos que é um paliativo, mas o prefeito está preocupado e já construiu uma fábrica de sopas para beneficiar essas pessoas menos favorecidas, o prefeito se preocupa com elas”, argumenta. CONTRASTE Há alguns metros dali, do outro lado do vale, dá para se ver casas de veraneio de pessoas da classe média de União dos Palmares, verdadeiras mansões que formam um contraste da realidade miserável dos moradores dos pavilhões da Santa Fé. Escrito por Olívia às 14h28 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] UNIÃO DOS PALMARES Desabrigados das cheias vivem em pavilhões em condições subumanas
Fotos de Olívia de Cássia Correia de Cerqueira
Escrito por Olívia às 14h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Os quintais da minha infância ...
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista As quatro casas em que morei em União dos Palmares tinham amplos quintais onde minha mãe plantava muitas fruteiras, verduras e outras culturas. Os quintais eram os locais onde o meio ambiente era preservado em primeiro lugar na família. Esses quintais nos proporcionaram momentos felizes e era onde nós passávamos grande parte do nosso tempo na infância. Na casa da Rua Correia de Oliveira, onde moramos nos primeiros anos da década de 60, época em que se iniciou a ditadura militar no Brasil, havia enormes pés de mangas que além de produzir gostosas frutas, era onde mamãe armava redes pra gente se balançar e brincar durante o dia. Nossa casa era vizinha à de Lala da farmácia, irmã de dona Nova. Eu ainda tomava gogó na porta, deitada com meu travesseirinho, nunca me esqueci disso. Fizemos tantas amizades por lá: seu Toinho Matias e família, Madalena Oliveira, seu Purdeu (que eu chamava de avô), seu Bilú, a família Praxedes, seu Leão, pai de dona Carminha e avô de Praxedes, e tantos outros como meu tio Lourival Paes e a tia Ester, minha tia Renalva e minha avó-madrasta Neném e o tio José, irmão do meu pai que gostava de brincar comigo. Na Rua da Ponte, as duas casas que moramos por lá também tinham amplos quintais. Na casa da mercearia, o quintal terminava no Rio Mundaú. Tinha pé de ingá, pau ferro, goiabeira e pitomba. O pé de ingá servia de poleiro para as galinhas de mamãe e o pé de pau ferro era onde subiam os cassacos que mamãe matava com o seu balaú, que iam comer as galinhas de capoeira que ela criava. Na outra casa, a da grande cacimba, tinha pé de goiaba e manga e mamãe plantava inhame, verduras e outras culturas. A cerca era de madeira e arame farpado e tinha vários pés de bucha enrolados nela. Vizinho a essa casa tem o armazém de compra e vendas de cereais que papai comprou do seu Zé Flor, que tinha um pé de goiabeira onde eu ia brincar ou me refugiar com minhas amigas de infância, Marisa e Maria José, para escapar das surras que mamãe prometia quando eu chegava toda molhada dos banhos no tanque ou no Rio Mundaú. Quando nos mudamos para a Rua Tavares Bastos, a casa não tinha quintal, mas o terreno vizinho que também era nosso tinha um imenso pé de manga, pinha e goiaba. Todas essas fruteiras fizeram parte da nossa infância já tão distante e saudosa. Em todas essas ruas havia grandes quintais onde as crianças brincavam e faziam suas traquinagens de criança. Na casa das minhas amigas Yelnya e Yelma Cardoso, o quintal era grande, mas o nosso interesse era pelo pé de sapoti da casa vizinha do seu Silvino, pai do nosso amigo Mano Plínio. Sendo assim, nós subíamos no muro para tirar os sapotis de lá, escondê-los no forno do fogão quando não estavam muito maduros, para depois comer. Outro grande quintal que eu era fascinada era o da avó de Yelnya. Na casa dos avós da minha amiga tinha muitas fruteiras e também gostávamos de passear por lá. Hoje em dia, não existem mais quintais como antigamente; eles quase que foram engolidos e substituídos porque grande parte das populações urbanas tratam de acabar para dar lugar a outras construções, por necessidade de mais espaço, mas eles trazem muitas lembranças para quem teve essas experiência de vida saudável, quem teve infância no interior e casas espaçosas para suas brincadeiras de pequenos e pequenas. Escrito por Olívia às 02h26 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Minhas filhotas; amigas inseparáveis de todas as horas. Estão sempre querendo e fazendo agrados... Igreja da Catedral, em Maceió.. Um belo monumento.. Feirinha de Artesanato Guerreiros; formada por pessoas que comercializavam produtos no antigo Cheiro da Terra que incendiou... Uma das toalhas bordadas que a minha mãe fazia... ... A Janis Joplin não é uma gata linda? Tem nome de celebridade do rock.... A Malu é uma doçura.... Minha amiga Genisete, fotografada por mim.. lá no Chimbras Bar, no domingo passado...
Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração. Domingo passado nos encontramos no Chimbras; na foto: Nádia Seabra, Kleber Marques, Gilson Monteiro e Genisete.... E o Lamparina, velho de guerra, instrutor das bandas de fanfarra de União dos Palmares, estava lá também...
Nestor Félix, presidente da Associação dos Moradores Sem-Teto de União dos Palmares...
Ciranda cirandinha vamos todos cirandá, vamos dar a meia volta .....
Enfim, surgirá uma luz no fim do túnel para os moradores dos pavilhões da Santa Fé em União dos Palmares... aguarde reportagem completa sobre a situação da população daquele local, neste domingo, no jornal Tribuna Independente.... Escrito por Olívia às 14h05 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Achei tão bonitinho isso e apropriado para o dia de hoje, se fosse em outros tempos, em outras épocas eu estaria concordando com tudo isso, mas o tempo passou, já não tenho mais idade para essas coisas, mas vale a leitura... ___________________________________ Quem não tem namorado Carlos Drummond de Andrade Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça. Escrito por Olívia às 13h58 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Dia dos Namorados
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista O Dia dos Namorados é celebrado em muitos países como Dia de São Valentim. É uma data comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais, quando é comum a troca de cartões com mensagens românticas e presentes com simbolismo de mesma finalidade, tais como as tradicionais caixas de bombons em formato de coração, ursinhos e bonecas entre outras delicadezas. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho, já em Portugal, é celebrada em seu dia mais tradicional: 14 de fevereiro. O dia é hoje muito associado com a troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos, mas para quem está sozinha o jeito é arrumar alguma forma de comemoração. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos Durante o império de Caldeus II, ele proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Caldeu acreditava que os jovens se não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho por ser véspera do 13 de junho, Dia de Santo Antônio, santo português com tradição de casamenteiro, provavelmente devido suas pregações a respeito da importância da união familiar. O casamento - em queda na Idade Média - trazia a união carnal, considerada pecado, naquele período quando se valorizava a vida espiritual celibatária. A data foi criada pelo comércio paulista e depois assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do Dia de São Valentim, equivalente nos países do hemisfério norte, para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados Mas trazendo a questão para o meu plano pessoal, hoje também é o aniversário de Jam. Vivemos essa data por quase 20 anos juntos e sempre comemorávamos, fosse com amigos ou sozinhos. De uma forma ou de outra, antes ou depois da data. Ele costumava dizer que tinha duas datas de aniversário: o dia 12, dia do seu nascimento, e o dia 13 que é o que consta em seus documentos. Andava com minha identificação de estudante de jornalismo da Ufal na sua carteira para dar carteiradas em alguns locais e se orgulhava disso. Eu achava muito engraçado o fato de alguém andar com a carteira de outro, vencida, exibindo-a nos locais, orgulhoso, como se fosse um troféu. Jam também costumava me dar alguns presentes, principalmente em datas como a de hoje: coisas simples, mas que eu recebia com muito carinho. Um desses presentes foi um relógio que guardo até hoje, pelo valor simbólico que tem, e um par de pantufas que estão bem-guardadas em meu guarda-roupa. Eu também costumava lhe dar presentes, na medida do possível. Estava sempre lhe trazendo mimos quando ia fazer compras. Como o tempo, fui percebendo as mudanças em seu comportamento.. Quando estávamos em barzinho com os amigos, de vez em quando ele arriscava me fazer perceber o seu interesse por várias mulheres e eu achava que aquilo era uma brincadeira. Quando estávamos no carro ele buzinava para as meninas e dizia gracinhas, coisas que com o tempo fui percebendo que não eram só zombarias dele: eram coisas do seu caráter. Escrito por Olívia às 10h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
Dos nossos males Escrito por Olívia às 14h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Escrito por Olívia às 14h00 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Briga diária pela vida Olívia de Cássia Correia de Cerqueira A minha briga interior diária é comigo mesma. Luto para me libertar desse sentimento que me persegue e que já se tornou uma doença crônica. Minha luta é comigo, com o que eu possa fazer de mim a cada dia. Minhas emoções se sobrepõem à razão e não consigo conter as lágrimas de tristeza que escorrem na alma. Minha auto-estima nessas horas vai lá para baixo e me refugio no fundo da mente rememorando coisas do passado que estou querendo e tentando esquecer de vez. Ontem minha amiga Liara Nogueira, conversando comigo no msn, falou que eu devia esquecer o passado, que o que passou não existe mais e que devo me amar primeiro antes de amar alguém. Foi o que sempre me disseram os terapeutas que eu procurei ao longo desses quatro anos de crise. Vivi a vida inteira me desvalorizado e supervalorizando pessoas que não souberam valorizar as minhas qualidades interiores e que nunca mereceram sequer o meu carinho e a minha dedicação que foi por inteiro. Por causa disso teve um período na vida que recebi a recriminação da família. Todos estavam certos quanto à sua opinião a respeito dos meus relacionamentos. Eu nunca soube escolher ninguém e sempre acabava me apaixonando pela pessoa errada. Hoje tenho consciência que não nasci par ser amada, que minha missão aqui na terra é bem outra, deve ser a minha realização no meu trabalho, apenas. Só que não é fácil ser jornalista por aqui. Diante de tanta peleja na vida eu tenho acordado todos os dias com infinitas interrogações e com muitos questionamentos a respeito de tudo. Questiono a mim mesma e questiono a vida. Devo ter errado desde o começo de tudo, mas estou querendo acertar e ser feliz. Escrito por Olívia às 09h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Escritos livres Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Depois da minha separação eu adoeci. Perdi a noção do que fosse limite e não me valorizei como deveria tê-lo feito. Me rebaixei até quase perder a dignidade. Entrei em depressão e precisei de auxílio médico para me recompor e continuar a normalidade da vida. Isso aconteceu há quatro anos, mas vez por outra a tristeza me vem a todo vapor e não consigo me controlar. Sempre tive como ferramenta gostar de escrever e desabafar minhas amarguras e isso me ajudou muito em meu tratamento, pois eu consegui me reerguer de novo, com ajuda profissional, o apoio dos amigos e as orações de tantos outros. A depressão é um mal terrível e só quem já passou ou passa por ela é que sabe os malefícios e as cicatrizes que ela deixa na alma da gente. Sentimo-nos desamparados, nos isolamos e nos sentimos impotentes diante do mundo e das coisas da vida. Muita gente desconhece os sintomas da doença, mas padece desse mal e nem assim respeita a condição do outro. Além da depressão e da síndrome de pânico eu descobri que tenho outros problemas de saúde. Nessa época escrevi uma carta para meus amigos onde eu dizia que quando terminei meu livro de memórias Mosaicos do Tempo, que ainda não foi editado, me senti aliviada, sentindo-me como se tivesse cumprido uma tarefa a ser realizada há muito tempo. Sofri muito para descrever tudo aquilo, reviver momentos da vida. No livro eu quis fazer um relato simplificado da minha história, com medo de um dia não poder expressar mais meus sentimentos. De vez em quando a depressão ameaça voltar e quando eu descobri que tinha os mesmos sintomas da doença de meu pai, a ataxia, eu fiquei mais frágil e mais confusa. É muito difícil saber que terei menos tempo de vida útil do que eu pensava ter para tentar realizar meus sonhos; meus sonhos de um mundo melhor e mais justo, de uma vida com qualidade, com menos atropelos e com menos confusão em minha cabeça. O jeito foi recorrer novamente a um profissional, mas eu também saí da terapia por falta de verba. Durante toda a minha vida eu só quis me encontrar e ser feliz, no campo pessoal e profissional, ser feliz e ser amada, mas eu não consegui realizar esse sonho como eu queria e talvez esse seja o motivo dos meus problemas emocionais. Na vida profissional eu fiz grandes progressos porque eu deixei de ter medo que era meu grande inimigo. Eu nunca quis angariar grandes fortunas; quero apenas o suficiente para que eu tenha uma vida mais salutar. Eu tive sonhos de uma vida simples, onde eu pudesse criar meus animais de estimação, viver em paz com a natureza, com meu próximo e com a vida. Aproveitar de forma que quando eu não tivesse mais condições de me locomover, ter tido a certeza de que vivi e que valeu a pena. Nos momentos mais difíceis, de desconforto e solidão, me desencanto e avalio que sou a pessoa mais infeliz, mas sei que isso não é verdade e domingo eu tive a prova disso tudo. Diante de tanta miséria que presenciei quando fui fazer uma reportagem, eu agradeço a Deus por tudo o que tenho e o que sou. Existem milhares de pessoas com problemas piores do que os meus e que deram a volta por cima e estão aí, lutando pela sua sobrevivência e é o que estou tentando fazer. Deixar essa tristeza do lado, tentar recomeçar de forma que a vida possa parecer mágica e espetacular. Por que, apesar de tudo, apesar do que aconteceu em minha vida, sei que vale a pena ter vivido em cada momento passado, em cada segundo que não volta mais. Sei que às vezes me desespero e me torno frágil diante das intempéries da vida, mas avalio que são essas dificuldades que vão fazer a diferença lá na frente e que vão me dar suporte para que eu tenha coragem de prosseguir minha jornada e cumprir minha missão ou “carregar a minha cruz”, como diz o meu irmão Petrônio, já bem afetado pela ataxia. Tenho recebido, ao longo dessas crises, muito apoio dos amigos e dos familiares que me amam e isso é fundamental nessas horas. Esses amigos se multiplicaram ao longo desses anos todos e são muito valiosos para mim. Sinto que muitos não me compreendem e me indagam o motivo pelo qual fico triste, se a vida é maravilhosa, se tenho dois braços e duas pernas não muito firmes, mas que ainda podem me levar para muitos lugares e se tenho uma cabeça pensante. Mas é justamente a idéia de que eu não possa mais me locomover que ainda me angustia nos momentos de solidão e dúvidas. Sinto o apoio dos amigos como um suporte para que eu possa me erguer e retomar minha vida normal a cada crise que aparece, tentando contornar o problema de saúde como se fosse algo normal em minha vida. Mas às vezes é muito difícil e é essa dificuldade que eu gostaria que todos entendessem. Não quero piedade. Quero apoio e força para lutar, lutar para sobreviver sozinha nesta selva competitiva que é o mercado de trabalho e que é a vida. Escrito por Olívia às 01h15 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] SOBRE A ATAXIA Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista A Ataxia Spinocerebellar SCA3, ou doença de Machado-Joseph “é uma enfermidade neurodegenerativa do sistema nervoso, multisistêmica, descoberta inicialmente na Ilha dos Açores, em Portugal, e não apresenta, atualmente, nenhuma cura”, apenas alguns tratamentos alternativos para que se retarde os efeitos da doentça. “A doença acomete igualmente homens e mulheres, com idade de início clínico variável, entre a segunda e a sexta décadas de vida, segundo descreve o site http: www.neurologia.ufsc. Br/artigos/parkinsonismo/doença_machado.html. A ataxia é transmitida geneticamente, por herança autossômica dominante e não existe nenhum remédio ou tratamento conhecido pela ciência médica, ainda, para tratar especificamente os seus sintomas. Entretanto, estão sendo desenvolvidas pesquisas no mundo todo e em anos recentes foram localizados vários genes (não todos ainda) responsáveis por algumas dessas formas da doença”. A aprovação das pesquisas com as células-troncos, recentemente, veio acender uma chama no fim do túnel para quem é portador desse mal. Estudos recentes indicam que o gene mutante (MJD1) está localizado no braço longo do cromossomo 14, com expansões estáveis das repetições CAG. Apesar de ser entidade genética única, conforme a explicação médica, apresenta expressão fenotípica variável observando-se diferentes formas clínicas, com associação de quadros de ataxia cerebelar, piramidais, extrapiramidais, de acometimento do sistema nervoso periférico, oftalmoplegia externa progressiva, fasciculações na face e língua, entre outros sintomas”. Em resumo: a pessoa que é portadora da doença vai perdendo seu equilíbrio, tem complicações com a fala e atrofiamento dos membros, principalmente das pernas. Desde a minha separação os sintomas desse mal que acometeu o meu pai, quase todos os seus irmãos e mais de 80 membros da nossa família começaram a aparecer Muitos dos meus amigos dizem para eu não acreditar que estou sofrendo desse mal. Eu prefiro ser mais realista e acreditar que eu tenho que aproveitar o que me resta da pouca saúde, até que eu não caminhe mais. As situações de estresse diário prejudicam e me afetam diretamente fazendo com que apareçam várias manifestações em meu corpo de que meu metabolismo não está bem. Mas eu tenho resistido. Não vou me deixar abater assim, muito embora em alguns momentos seja difícil contornar a situação. A ataxia pode afetar os dedos, as mãos, os braços, as pernas, o corpo, a fala ou o movimento dos olhos. Essa perda de coordenação pode ser causada por diversas condições médicas ou neurológicas. São explicações científicas de estudiosos, que vêm desenvolvendo trabalhos no sentido de encontrar um vacina ou remédio que venha a deter os sintomas da doença. A pessoa que é acometida desse mal perde a coordenação dos movimentos musculares voluntários, isto é: em primeiro lugar a fala começa a ficar comprometida, depois a pessoa anda como um bêbado, trôpego e quem observa de fora pensa que ela está embriagada. Foi assim que começou a se manifestar em meu pai e agora, em meu irmão Petrônio, que já está num estágio avançado da doença, tem problemas na fala e se locomove com dificuldade. Não dirige mais e sua coordenação motora está afetada. Recentemente, foi publicado na Internet, no site www.natue.com, no dia 9 de junho de 2004, uma notícia que trouxe esperança para os portadores dessa doença. A informação diz que surge uma esperança de cura para quem sofre da doença de Huntington, doença semelhante à ataxia. Uma terapia genética obteve sucesso em ratos com doença cerebral e pode aliviar sintomas de algumas doenças devastadoras do cérebro, de acordo com evidências apresentadas em conferência nos EUA. Muitas doenças neurodegenerativas são provocadas quando o cérebro faz proteínas mutantes que se agregam ali, causando sintomas que vão piorando com o tempo. Essas doenças cerebrais são incuráveis. Afetam cerca de 2500 mil pessoas, só nos Estados Unidos. Segundo Beverley Davidson, a pesquisadora da Universidade de Iowa, A terapia eliminou trechos do tecido cerebral lesionado e corrigiu os sintomas físicos da doença. Essa é a primeira vez que a terapia genética conseguiu curar uma doença como a ataxia. Mas a descoberta foi importante porque também é a primeira vez que a técnica foi usada para curar enfermidades cerebrais progressiva denominada dominante, segundo o site. Essas doenças ocorrem quando o paciente herda uma cópia defeituosa de um gene de apenas um dos pais. A parte mais significativa da terapia genética envolve a substituição da seqüência de genes que falta. Mas nas doenças dominantes, é a própria seqüência mutante que causa o problema, assim qualquer terapia nesse sentido precisa bloquear ativamente o defeito, em vez de apenas substituí-lo. Para fazer isso nos ratos, a equipe da Dr. Davidson utilizou uma técnica chamada interferência de RNA. Os pesquisadores isolaram pedaços do material genético que se ligam ao gene mutante, bloqueando-no. Eles encapsularam esse material em partículas de vírus sem efeito e injetaram nos ratos. O vírus usado não causa qualquer doença em ratos ou em seres humanos. Depois das injeções, as proteínas criadas pelo gene mutante desaparecem e os ratos aparentemente melhoraram, conforme anunciaram os pesquisadores na reunião anual da American Society of Gene Therapy, no dia 9 de junho, em Minneapolis, Minnesota, EUA. Davidson e seus colegas também relataram que a interferência do RNA fez com que células humanas em cultura parassem de produzir as proteínas mutantes da doença de Huntington. Para esse trabalho, usaram um outro vírus para implantar o RNA nas células. Semelhante ao causador da imunodeficiência (HIV), infeta os gatos. A equipe retirou toda a parte infecciosa do vírus e substituiu-a pelo RNA terapêutico. Davidson disse esperar que a técnica passe rapidamente para a fase dos testes clínicos. “Os dados são muito promissores. Esperamos usar a interferência do RNA como terapia para as doenças neurodegenerativas dominantes”. Essa informação me foi passada por meu primo Edvaldo Siqueira, portador da doença e estudioso no assunto. Mais informações sobre a doença de Machado-Joseph podem ser obtidas no site: http://br.groups.yahoo.com/group/ataxianet/. (*) FIM DE MOSAICOS DO TEMPO Escrito por Olívia às 22h43 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] FAÇA A SUA ASSINATURA DA TRIBUNA INDEPENDENTE: Escrito por Olívia às 22h15 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] A morte de mamãe (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Não acreditávamos que mamãe fosse morrer no dia 10 de dezembro de 2001, com 77 anos, daquilo que achávamos ser apenas uma infecção intestinal, depois de ter sobrevivido àquela cirurgia de esôfago, quando contraiu a infecção pulmonar e já tinham se passado dezesseis anos, desde aquele tempo. A forma como minha mãe morreu nos deixou a todos surpresos. Há mais de 20 anos que ela tomava laxante, devido aos seus problemas intestinais provocados pela doença de Chagas. Na semana de sua morte teve complicações sérias e não parava de ir ao banheiro, mas não queria viajar para Maceió, nem ao menos ir para o hospital de União, do medo que tinha por já ter passado por aquela situação. Acreditávamos que ela tivesse comido alguma coisa estragada, pois para economizar comia alimentos requentados e velhos, a semana toda, não admitia que reclamássemos. Depois que ficou viúva, não quis colocar ninguém para morar com ela. Era muito teimosa, fazia todos os afazeres domésticos e cuidava da casa sozinha. Fui para União ficar com minha mãe, mas ela sentia muita dor de barriga. Até que fomos ao Hospital Geral de União-HGU e conversamos com nosso amigo Beto Baía, para colocá-la naquele hospital a fim de que ela tomasse soro e viesse se recuperar do líquido que já tinha perdido. No dia do internamento de mamãe, no HGU, conheci a mulher com quem meu marido estava me traindo. Ela trabalhava lá, naquele hospital, e quando soube que eu estava acompanhando a minha mãe, dando uma desculpa que ia falar com uma enfermeira que nos atendia, entrou na enfermaria. Eu não consegui acreditar que era por aquela mulher que meu marido tinha mudado tanto comigo. Quando ela saiu do quarto, meu corpo todo tremia e quase não consegui me controlar. O escritor Leon Tostói, em seu livro Ana Karênina, escreveu que “há pessoas que, ao defrontarem-se com um rival, seja qual for o terreno em que se encontram, são incapazes de lhe descobrirem qualquer qualidade; outras há que, pelo contrário, tratam de ver no rival as qualidades que lhe serviram para vencer, e tudo fazem para só lhe descobrir os méritos, apesar do sofrimento que isso lhes causa”. No meu caso, como eu estava muito magoada, só via a primeira hipótese. Mamãe não melhorou e viemos com ela para Maceió. Chegou a ser internada na Unidade de Emergência Armando Lages, tal era sua fraqueza. Passei a noite com ela naquele inferno. Há muitos anos eu já tinha ficado com meu pai naquela unidade de emergência e tive que reviver aqueles momentos de novo. Não foi fácil. De minuto em minuto trocava-lhe as fraldas, no corredor do hospital, porque não havia leitos disponíveis, na presença dos demais enfermos. Era humilhante aquela situação, eu não me conformava. Ligava para Jam e para meus irmãos, de dez em dez minutos para informá-los do quadro de saúde dela e para falar das minhas dificuldades na UE. Às nove horas da manhã daquele dia pedi ao meu irmão para sairmos da Unidade de Emergência Armando Lages, resolvemos levá-la para o Hospital dos Usineiros, mas duas horas da tarde ela morreu. Quando foi para a UTI já estava morrendo, eu vi os seus pezinhos roxos, mas os médicos me disseram que estavam tentando uma reanimação. Eu sabia que ela já havia morrido. Quando o médico abriu a porta da UTI, todo suado, para me dar a notícia, eu já estava preparada. Mas quando ele me disse que o que ia ver não era muito agradável, fiquei desconfiada. Quando cheguei perto do corpo da minha mãe, ela estava toda entubada e fezes saíam por aquele aparelho. Tinha sido a causa da contaminação da minha mãe. Seu intestino grosso havia se rompido, devido a tanto laxante que ela havia tomado, quase que a vida inteira. Entrei em parafuso, novamente. Não sabia se mamãe havia me perdoado por todas as minhas desobediências e isso, quando ela morreu, ficou na minha cabeça. A idéia de que ela teria morrido sem ter me perdoado, sem eu ter lhe pedido perdão pelas minhas falhas para com ela. **** Mamãe teve uma prima de nome Luiza, falecida há muitos anos. Dessa prima ela “herdou” o túmulo onde foi sepultada. É que minha mãe, estranhamente, não quis ficar junto com meus avós nem meu pai. Alguns anos antes de falecer, pediu o túmulo de presente para uma neta dessa prima. Como a família de Luiza é evangélica e o túmulo estava abandonado, mamãe ganhou o presente que tanto queria, aonde ia sempre limpar e cuidar do terreno, poucos meses ante de morrer. O túmulo fica ao lado do dos meus avós e foi ali que foi colocado o seu corpo, para o devido descanso. Restava-me contar a partir daquele dia com minha tia Osória, irmã mais nova de mamãe, minha vizinha em Maceió, a quem eu confidenciava muitos dos meus segredos, aquelas confidências que eu não tinha coragem de desabafar com a minha mãe. Mas minha tia também já estava muito doente e precisou ser hospitalizada, também tinha desenvolvido um câncer, e no dia 2 de setembro de 2003 ela também morreu, me deixando um vazio imenso. ***** Passados os anos depois da morte de mamãe fico imaginando quanto desentendimento poderíamos ter evitado, principalmente eu, por ser mais nova e ter estudado e, teoricamente, ser capaz de ter atingido um nível de compreensão maior que o dela. Poderíamos ter sido mais amigas e mais felizes. Tanto eu quanto ela. Sei que mamãe alimentava seus sonhos e, assim como eu, não pôde realizar todos eles. Hoje eu entendo que minha mãe tivesse medo que eu viesse a passar por situações tais quais eu passei e por isso relutava tanto para que eu não me apaixonasse nunca. Porque ela me conhecia muito mais do que eu e sabia da dificuldade que sempre tive no que se refere aos relacionamentos afetivos. Há momentos que me sinto culpada pelas dificuldades que tenho vivido. Não posso responsabilizar nada nem ninguém pelos meus problemas que eu, às vezes, avalio que são maiores do que os de outras pessoas. Mas preciso acreditar que da mesma forma que ainda tenho dois braços e duas pernas, ainda firmes, e uma cabeça pensante, resta-me colocá-la para funcionar, acertadamente. Entretanto, não são todos os momentos em que o raciocínio me vem tão claro. Há instantes de muita indagação, inquietação e incertezas. Às vezes concordo quando me dizem que qualquer um pode fazer o seu próprio destino, pegá-lo pela rédea e conduzi-lo firmemente até onde se quer chegar. Seguindo essa linha de raciocínio, me ponho a acreditar que talvez eu não tenha acertado na maioria das minhas atitudes e que não fui capaz de ter me firmado no campo pessoal e na vida profissional. Em outros momentos eu avalio que o destino está escrito e que nem sempre somos capazes de alterá-lo. Que ele é inevitável. E dessa forma vem a explicação para todo esse meu desempenho um tanto quanto atrapalhado nas coisas que sempre fiz. Renunciei a tantos sonhos e talvez seja por isso que me sinto tão insegura. São esses e outros pensamentos que me invadem no instante de solidão e de muitas incertezas, num dia chuvoso e de muita nostalgia. *** Não tive muita sorte nos meus relacionamentos amorosos, nem no meu casamento em regime de união estável. Sentia-me inferior às minhas amigas, achava-me feia, fora dos padrões de beleza exigidos pela sociedade. Sempre tive facilidade de me apegar às pessoas e ainda hoje tenho dificuldade de lidar com os sentimentos, parece que nem a idade me deu a maturidade devida. Vivi a minha adolescência em União dos Palmares procurando respostas dentro de mim, tentando ser feliz, me rebelando contra situações de preconceitos e injustiças sociais, contra a sociedade, que impunha um modelo de repressão – política e moral -, contra minha saudosa mãe, que não procurava entender ou não entendia a cabeça daquela adolescente inquieta, contestadora e rebelde, mas apesar desse contexto e da rebeldia, fui uma adolescente romântica. Reviver o passado é um exercício de saudade, dor e sofrimento ao mesmo tempo. Saudade da minha infância e da minha adolescência, período em que se vive os primeiros amores e as primeiras experiências, que nos acompanharão para o resto da vida. A idade dos sonhos mais bonitos, a idade de se pensar que se pode tudo. A idade da vaidade e quando acontecem as coisas mais bonitas na vida de uma mulher. Saudade da minha juventude, dos amigos que já se foram e de tudo aquilo que vivi, embora eu não tenha tido as mesmas oportunidades que as meninas têm, agora, mesmo que eu tenha sofrido muito por conta das divergências que tive com mamãe e do meu radicalismo. Mas a leveza dos sonhos e o bem-querer pelos amigos me faziam acreditar que eu alcançaria e realizaria todos os meus desejos e que um dia poderia ser feliz. A juventude é uma fase de encantamento e do pensar que tudo podemos, quando queremos e, talvez, se eu tivesse tido um comportamento diferente, minha vida tivesse sido outra, mas agora é muito tarde. Tenho que acreditar que tudo estava escrito e que eu tivesse que passar por tudo isso que estou vivendo agora. Acho que Deus deve ter reservado alguma missão para mim e resta-me descobrir qual foi. A vida é implacável e o tempo que disponho é pouco, eu sei. Já não posso mais sonhar, já não posso acreditar, como uma adolescente sonhadora, que ainda tenho muitas chances pela frente e que posso ser feliz. O meu tempo, agora, é de aproveitar o que me resta. O que a vida pode me oferecer e não aquilo que eu venha a sonhar, embora os sonhos ainda não nos sejam proibidos. Escrito por Olívia às 22h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Os desentendimentos (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Jam já esquecido dos problemas que enfrentou em União, por conta da sua vida dupla, voltou a trabalhar no interior, na mesma loja que trabalhara, desde os 13 anos de idade, onde assimilou todos os conceitos e noções de vida que carrega com ele hoje. Passou a ter um relacionamento razoável com mamãe, mas ela procurava informações dele de tudo quanto era lado. As empregadas domésticas que trabalhavam para o patrão dele tratavam de passar todas as informações para mamãe e ela ficava sabendo dos seus envolvimentos amorosos, tal era a rede de informações que se instalou. Passei a receber telefonemas anônimos sobre o envolvimento do meu marido com outras mulheres. A própria amante ligava dizendo que era uma amiga, lhe procurando. As contas do telefone convencional chegavam a R$ 300 de ligações a cobrar que eu não sabia de onde vinham, sempre às sextas-feiras à noite, no horário em que eu estava no jornal e ele ficava em casa, aproveitando a minha ausência para trocar telefonemas confidenciais com ela. Um dia, eu liguei para o número que estava repetido em vários locais da conta e uma mulher atendeu, perguntei quem era e disse que na minha conta de telefone havia varias ligações para aquele número, mas a pessoa deu uma desculpa qualquer e eu não voltei a ligar. Fiquei desconfiada, mas como não tinha a prova concreta, resolvi me acalmar, com receio de que tivesse sendo injusta com ele, sempre pensando em ser sensata e não ser possessiva. Quando eu reclamava das contas, Jam dizia que eram minhas e que eu ficava pendurada no telefone com minhas amigas e que não tinha nada a ver com isso. Para ir aos motéis sem ser visto com suas amantes, ele colocou película escura nos vidros do nosso carro e quando andava na moto de uma delas, não tirava o capacete, para não ser reconhecido, quando ia buscar a outra, que era considerada na família dela como uma suposta moça comportada. Uma das mulheres com quem Jam se envolveu tornou-se minha amiga e me deu apoio, mas ela também morreu de câncer, e não tivemos muito tempo para aprofundar nossa amizade. Seu caso com Jam, fiquei sabendo depois, durou um ano. Minha prima Rita não entende como é que eu fui fazer amizade com uma ex-rival. Minha mãe, apossada de todas as informações, me revelou o que ficara sabendo. Minha prima, numa das visitas que fez à casa da tia do marido deu de cara com Jam, aboletado do sofá da mulher. Ela perguntou à tia do marido o que Jam estava fazendo ali, na sua casa, e a mulher disse que ele já namorava sua irmã há um ano, o que causou estranheza na minha prima, que revelou para a mulher a verdade, mas a família da amante, a princípio, não acreditou naquela revelação. Meu marido ficou lívido diante da presença da minha prima naquela casa, acho que jamais ele ia imaginar que estava se envolvendo com uma pessoa que tivesse ligações tão próximas e disse para essa prima que depois falaria com ela. Depois desse episódio, passou a hostilizá-la, temendo que ela me contasse o que vira. Depois que Jam saiu de casa e diante do meu quadro emocional, fui aconselhada por uma amiga a procurar uma ajuda profissional e fui fazer terapia porque muitos achavam que eu estivesse enlouquecendo. O mundo havia desabado aos meus pés. Eu chorava e tinha crises de depressão quase todos os dias. Não conseguia dormir e nem comer. Emagreci nessa época quatorze quilos, já que também estava de dieta. Joguei todas as panelas da minha casa no lixo, pois sempre me vingo nelas quando entro Nesse tempo, fiz de tudo para Jam voltar e quando ele começou a vir em casa, a tal amante ligava, reclamando os seus direitos, me dizendo coisas que eu abominava, mas que talvez ela estivesse certa. - “Sou mais eu”, dizia ela, senhora de si. Ou então, “se ame minha filha”. E segundo ela deixava entender, estavam apaixonados. Numa das ligações da tal mulher, ela me disse que eu, daquela data em diante, seria a outra e ela a esposa, porque estava esperando um filho dele e que já tinha feito três abortos, aquele poderia ser mais um, caso ele não assumisse a criança. Passei a acreditar que ela havia arquitetado o golpe mais antigo do mundo, o da barriga, e que ele havia caído nele. Eu e Jam estávamos negociando a possibilidade de ele voltar para casa e ele me dizia que estava conversando com a amante e convencendo-a de que a deixaria. Minha mãe estava se colocando contra, novamente, e foi procurá-lo para dizer que ele estava me deixando porque faço parte de uma família de aleijados e ser filha de um portador de ataxia, e que esse era o motivo de ele não querer mais viver comigo. Ela estava revoltada com o comportamento de Jam, mas ele tinha como álibi o fato de que o pai era deficiente e a mulher com quem estava se envolvendo também ter um defeito na perna. Não era por esse motivo que estava me deixando. Quando Jam começou a freqüentar a nossa casa novamente, eu alimentei a idéia de que ele estivesse voltando porque estava arrependido do que tinha feito e disposto a levar a nossa vida adiante, ou que ainda me amasse, se é que algum dia tivesse gostado de mim. Mas depois de tudo passado cheguei à conclusão de que ele voltou para se vingar, porque eu tinha mandado ele embora, na hora do meu desespero, quando descobri que ele estava me traindo. Eu acreditava que ele estivesse empenhado em dar continuidade ao nosso relacionamento de tantos anos, que quisesse investir no nosso futuro, no nosso patrimônio e na nossa velhice, já que tínhamos tanto tempo de vida Meses depois de ter voltado, ele trocou o nosso carro num terreno e fez um empréstimo no banco para construir a sua loja de refrigeração. Eu fiquei toda animada porque via o interesse dele em deixar de ser empregado. Pensei que a construção daquele empreendimento fosse um passo para o amadurecimento dele, o investimento no nosso patrimônio e no nosso futuro. Mas pouco tempo depois do falecimento da minha mãe e com menos de um mês que a minha tia Osória, minha segunda mãe, tinha morrido, sem dar explicações ele não voltou mais, desde 25 de setembro de 2003. Disse-me por telefone que depois conversaríamos e essa conversa nunca aconteceu. Quando Jam me abandonou, parecia que o mundo tinha acabado para mim. Foi quando eu tive a certeza de que ele me traia abertamente em União e nem se importava com a falta de respeito para comigo, quando todo mundo estava sabendo a verdade: o desfile dele com as mulheres, de carro novo, de moto, nos motéis, festas e restaurantes, e eu em casa, aguardando ele chegar, na esperança de que me convidasse para sair, porque eu estava tão dependente do relacionamento que só me sentia bem saindo com ele. Eu tinha prazer de compartilhá-lo com meus amigos, apresentá-lo a cada um e dizer que era meu homem, meu companheiro, meu marido, meu amigo. Passei a agir como se a vida tivesse acabado, se não fosse a presença dele ao meu lado, me anulei como pessoa, mas estou reaprendendo a viver. A separação está sendo ainda muito dolorosa para mim, mas já começo a ver que há luz no fim do túnel, vejo que há vida além de tudo isso, e que lá fora, o mundo pode não ser tão ruim como eu estava pensando. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 11h45 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Freitas Neto (*)
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Em 11 de julho de 1997 o jornalismo alagoano perdia João Vicente de Feitas Neto, em desastre de avião, na cidade de Santiago, em Cuba, junto com sua esposa Graça Carvalho. A notícia pegou a todos nós de surpresa e não queríamos acreditar no que estávamos ouvindo. Freitas, nosso companheiro do sindicato, morto. Ele que foi um dos pioneiros do jornalismo alagoano, mudou o curso do sindicalismo em Alagoas, e foi um lutador pelos direitos da cidadania. Tinha se tornado um amante de Cuba, a Ilha de Fidel, onde morreu com sua esposa, a amada Gracinha Carvalho. Ele era um amigo de todos e me incentivava na continuação do informativo O Beco, da Vieira Perdigão, e na minha participação no jornal O Relâmpago, de União. Acreditava na força do jornalismo alternativo, e sempre que podia me dava umas orientações. No dia do seu enterro fizemos uma vigília no Sindicato dos Jornalistas e Gracinha, sua sobrinha, colocou as músicas que Freitas mais gostava: “Vermelho”, cantado por Márcia Freire, e a música “Estou apaixonado”, de João Paulo e Daniel. Centenas de pessoas compareceram às últimas homenagens a Freitas. Foi uma comoção geral e não parávamos de chorar e de lembrar da imagem dele e das coisas que Freitas fazia. Estava sempre envolvido em alguma atividade política, fosse ela qual fosse. A diretoria do Sindicato compareceu ao Aeroporto Zumbi dos Palmares, para esperar o caixão que iria chegar de Cuba, mas nós não acreditávamos ainda naquela notícia, como se fora uma brincadeira de mau gosto. A imprensa nacional e internacional noticiou a morte do nosso querido amigo, que possuía um currículo invejável, engrossado por sua participação atuante em todas as frentes em defesa da cidadania. Freitas participou de pelo menos 32 congressos e encontros da categoria, em sua área de atuação profissional: o jornalismo, segundo o seu currículo. Além de jornalista Freitas Neto era também advogado e militava no direito trabalhista. Por uma coincidência do destino, pouco tempo antes de viajar para Cuba, Freitas Neto tinha conversado com meu marido Jam sobre a possibilidade de ele fundar o Sindicato dos Vendedores de Carros, na Praia da Avenida, em Maceió, já tinha até fundamentado um estatuto, porque Freitas acreditava na força do sindicalismo e achava que Jam pudesse se interessar em organizar aquela categoria. Além do incentivo a Jam, Freitas tinha conversado comigo e estava querendo me indicar para trabalhar na Sucursal de União dos Palmares do jornal Gazeta de Alagoas, onde era editor de Municípios. Nesse tempo, Jam me levava todas as segundas-feiras para as reuniões do Sindicato dos Jornalistas e no final ia me buscar; foi quando fez amizade com meus amigos diretores da entidade. Nos desfiles do bloco Filhos da Pauta, Freitas não perdia um e já era presença confirmada em todos eles. Irreverente, num dos desfiles, compareceu com um penico na cabeça, cuja foto ficou histórica na nossa categoria. Era uma pessoa inquieta, mas dócil, e lutou, durante toda a sua vida, contra a ditadura militar, pela democratização do País e pela organização da sociedade civil. Era muito conhecido por causa de seu fusquinha amarelo, que se tornou folclórico Escrito por Olívia às 11h18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] A reincidência de erros (*)
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Jam chegou a ficar alguns dias dormindo na casa de mamãe, mas saía todas as noites e ela começou desconfiando daquelas saídas. Foi quando veio descobrir que ele havia se envolvido com Lúcia, a auxiliar de lacnchonete. Mamãe me contou tudo e ele me jurou que não era verdade. Decidi passar uma borracha por cima daquilo e seguir em frente, já que queria continuar meu relacionamento com ele. Embora nessa época eu já tivesse militando no movimento de mulheres, filiada a um partido político de esquerda (O PCdoB), trabalhando em jornal e cheia de teorias feministas, que desenvolvi ao longo do meu curso universitário, me deixei levar pelos sentimentos exagerados, pela submissão e, diferente da teoria socialista que eu tanto defendera, reproduzi o modelo machista da mulher dependente, passiva e submissa. Acabava sempre perdoando os desvios de comportamento de Jam, na esperança que ele mudasse, que ele assimilasse os meus conceitos, aquilo que eu aprendera na faculdade. Em 1992, Jam volta a se envolver com outra mulher, dessa vez com uma mulher casada. Uma profissional liberal conhecida de todos na cidade, de classe média de União, que já tinha até alugado apartamento para morar com ele ou manter os seus encontros amorosos Com a assiduidade em que ia à casa dela, ela começou a desabafar seus problemas conjugais, pois o marido era muito ignorante e machista e Jam, com seu jeito galanteador, começou a ser gentil com ela, no que resultou no envolvimento amoroso. Com o casamento em crise, a moça não conseguia se livrar do marido que sustentava a casa, mas vivia viajando e era cheio de mulheres e segundo conta a lenda na cidade, ele lhe espancava quando bebia. A moça chegou a apresentar Jam para seu pai e sua mãe como um homem livre e desimpedido e ele mandou até o alfaiate fazer roupas caras, de linho, para freqüentar a casa dos parentes da sua nova conquista, mas tudo isso, como sempre, eu só fiquei sabendo depois que tudo aconteceu. Num dia de eleição em União eu estava na porta da casa da minha mãe fazendo boca-de-urna para meus candidatos e ela passou. Eu a cumprimentei educadamente, mas ela nem respondeu e eu fiquei cismada, mas nem desconfiei do que se tratasse, o motivo porque aquela mulher não teria falado comigo já que uma de suas primas tinha sido minha amiga de infância. Estava de caso com meu marido, por isso ficou com vergonha de responder ao meu cumprimento. Nesse tempo, devido ao seu comportamento e a sua vida dupla, Jam, passou por algumas situações vexatórias em União; ficou sem vir em casa por 15 dias. Eu lhe mandava fax, endereçados à empresa onde ele trabalhava, telefonava, deixava recados e ele não respondia, nem aparecia Quinze dias se passaram até que Jam desse o ar da graça em casa, com um malote nas costas, barba por fazer e desarrumado. Estava arrasado e então me contou o que havia se passado com ele. Eu já estava entrando em depressão, nessa época, bebia muito e fumava. Apesar de eu ter me sentido muito humilhada e traída, novamente ajudei-o a superar mais essa fase e ele veio morar comigo Nessa época, eu me comportava quase como Penélope: tecia tapetes e me punha a fazê-los até tarde ou a ler meus livros políticos e teorias sociais, até que ele aparecesse. E quando chegava em casa as desculpas eram sempre as mesmas. Eu procurava não ser intransigente, nem me comportar de maneira possessiva, para não ser acusada de chata e ciumenta, nem ranzinza, como alguns homens argumentam de suas mulheres, e assim fui fazendo tudo para que o nosso relacionamento desse certo e fosse se acomodando, porque eu, ingenuamente, passei a acreditar que a nossa relação fosse durar a vida inteira, porque ele sempre me dizia que nunca ia me deixar...(* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 02h46 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Relâmpago (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Em 1994, me integrei com Genisete de Lucena Sarmento, na equipe do jornal O Relâmpago, de União dos Palmares, na sua primeira fase. O Relâmpago era um jornal em formato ofício que, a princípio, circulava em cópias de xerox. Depois o jornal tomou corpo e fazê-lo era o que poderíamos chamar de uma saborosa aventura. Uma aventura que nos trazia satisfação e prazer, desde a organização das matérias à digitação e à colocação dos anúncios e, por fim, as vendas dos exemplares, no corpo a corpo. Nos primeiros anos de atividades do jornal, somamos experiências que nos deram incentivo para continuar a fazê-lo, apesar da pouca grana, da descrença de algumas pessoas no projeto e da falta de recursos gráficos. O pequeno O Relâmpago se pautou em levar a informação, ‘sem máscaras’, para os leitores palmarinos, tentando ser um órgão fiscalizador dos atos dos governantes do município. Queríamos fazer o que Ana Arruda Callado e Maria Ignez Duque Estrada definiram como sendo os objetivos de um jornal Comunitário: “Uma imprensa comunitária forte é o melhor caminho para a democratização da sociedade”. Mas em alguns momentos não fomos entendidos por algumas autoridades do município. Quinzenalmente, a equipe do jornal percorria a feira livre de União dos Palmares, vendendo o “seu peixe”, isto é, o jornal. Durante os primeiros anos, já podíamos fazer algumas constatações sobre o resultado do nosso trabalho. Geralmente, nos dividíamos em duplas para efetuar as vendas, aos sábados, na feira, e a nossa maior surpresa, no início da nossa jornada, foi quando constatamos que cada uma de nós tinha os seus leitores preferidos, que não abriam mão de comprar o seu exemplar com exclusividade. Ou seja, quem comprasse o jornal a mim, não comprava a Genisete e quem comprasse a Nádia, também da equipe do jornal, não comprava a nenhuma de nós duas, e assim, sucessivamente, na maioria das vezes. Constatamos ainda, que na Rua Orlando Bugarin, centro de venda do comércio em grosso de União, de um lado estavam as pessoas que compravam o nosso jornal, mas do outro, não conseguíamos vender sequer um exemplar, apesar da nossa persistência, toda quinzena, no sentido de que pudéssemos conquistar também essas pessoas. Mas o Relâmpago também deu uma parada, por falta de dinheiro e talvez volte a circular em União qualquer dia desses. O professor Dílson Moreira (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Em 1980, chegava em União dos Palmares o professor Dílson Moreira para trabalhar na Rede Ferroviária Federal. Dílson foi também meu professor e ensinou em várias escolas do município, sendo um incentivador permanente da cultura palmarina. Pioneiro batalhador pelas questões do negro na cidade, Dílson se sentia injustiçado pelas autoridades, que não lhe deram apoio. Em 1996, fiz uma entrevista com o professor que foi publicada no jornal O Relâmpago. E já bem doente, ele me reclamou da falta de incentivo à cultura, no município. Autor da idéia do tombamento da Serra da Barriga, junto ao movimento negro alagoano, ele tinha guardando em seu acervo documentos importantes para a história da região. Em seu arquivo, constavam correspondências enviadas a embaixadas africanas e autoridades do mundo inteiro, incluindo uma carta solicitando a doação de uma bandeira estadual para ornamentar o monumento às liberdades, para o Memorial Zumbi, na Serra da Barriga. Entre outras objetos valiosos para a cultura da cidade, possuía livros com histórias sobre Zumbi dos Palmares. Na minha conversa com ele, ressaltou a importância da revitalização do turismo na região, a preservação da estrada da Serra e sugeriu às autoridades municipais o aproveitamento do Muquém, uma comunidade local, onde residem muitos descendentes negros, que fabricam panelas. A idéia do professor Dílson era que se construísse ali um mercado de artesanato de cerâmica, já que no Muquém há bastante matéria-prima, o barro, aproveitando as comunidades negras ali residentes. Ele me disse, à época, que em 1995, quando foi comemorado os 300 anos da morte de Zumbi, a Secretaria de Cultura do Estado e a Prefeitura não haviam lhe procurado. A única instituição que fez contato com Dílson naquela época foi a Fundação Cultural Zumbi, ainda sob a coordenação do professor Joel Rufino. Como parte das atividades de comemoração dos 300 anos da morte do mais importante líder negro do País, foi lançada uma cartilha didática sobre a história do herói palmarino, mas as cartilhas só chegaram à cidade no ano seguinte, o que revoltou Dílson Moreira, pois ele tinha a intenção de distribuir as referidas cartilhas nas escolas de União, antes do dia 20 de novembro de 1995, quando aconteceu a festa dos 300 anos da morte de Zumbi, o mais importante líder negro da nossa história, mas as cartilhas só lhe chegaram às mãos porque, segundo ele, teve a intervenção de um deputado alagoano. Dílson Morreu e não viu o seu sonho realizado. *** União dos Palmares está localizada na região leste do Estado e fica na microrregião Serrana dos Quilombos. É o símbolo da resistência negra do Brasil, onde os negros construíram a república do Quilombo dos Palmares, chegando a reunir 30 mil escravos, segundo conta a história. Foi na Serra da Barriga, no Século XII, que Zumbi, símbolo da resistência, construiu o seu império, contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros fugitivos, novamente, para a escravidão. Zumbi morreu em 1695 e o 20 de novembro, em sua homenagem, foi denominado de Dia da Consciência Negra, que todos os anos reúne em União, na Serra, diversas autoridades e comitivas internacionais, para homenageá-lo. A Serra foi tombada pelo governo federal, e em 2007 foi inaugurado o Parque Memorial Zumbi dos Palmares, onde foram feitas construções imitando as que havia na época em que os negros habitaram os quilombos. Mas, de fato, o empreendimento ainda não começou a funcionar e estão sendo feitas várias cobranças nesse sentido. A paisagem lá de cima é espetacular e mostra vales cobertos de cana-de-açúcar e palmeiras, banhados pelo rio Mundaú. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 02h32 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Hoje... Hoje amanheci com alma de poeta, Triste e solitária como só aqueles que Amam sem ser amados sabem ser. Amanheci com uma dor no peito, Com um nó na garganta e com Um sentimento exagerado e Louco de sair por aí gritando E dizendo das coisas que estou Sentindo..... Hoje amanheci triste, com saudade De tudo, com saudade da vida, Com saudade de nós... Um sentimento arrebatador e maluco tomou conta de mim Hoje uma ansiedade e dor da saudade Tomou conta da minha alma e do meu ser.... Só para me lembrar da falta Que eu sinto De você... Escrito por Olívia às 14h56 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Reflexões pessoais sobre o amor e ódio
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Hoje, sexta-feira, 6 de maio de 2008, eu acordei com uma tristeza no peito, uma angústia danada, uma vontade de chorar e cheia de carência afetiva. Nunca dei sorte no amor e um dia achei que eu tinha encontrado alguém que se interessasse por mim e que poderia me amar de fato, mas eu estava enganada. Essa pessoa só queria me usar para atingir os seus objetivos pessoais e materiais. Ontem conversava sobre isso com amigos e dizia que, por certo, eu não quero mais passar por tudo o que já passei na vida com relação ao amor e hoje eu entendo que o que a minha mãe sentia, talvez fosse um sentimento igual ao que eu sinto agora. O amor é um sentimento bonito quando há retribuição. Mas quando acontece como no meu caso sempre aconteceu, a gente sofre muito. Já li muitos livros sobre o assunto, fiz terapia duas vezes, escrevi meu livro de memórias que ainda não publiquei e cheguei à conclusão agora que o tema é charmoso na literatura, mas na vida real, é melhor “deixar para lá”, não se envolver para não sofrer mais. Acordei com um sentimento único que me acomete vez por outra, que sempre me pega de surpresa e que me faz chorar por mais que eu esteja calejada na vida. São sentimentos mal resolvidos, situações interrompidas que no passado recente me impediram de crescer na profissão e no lado pessoal. De vez em quando esses sentimentos me vêm à tona e não consigo impedir que aflorem em meu peito. Não tenho ainda ferramentas interiores que proíbam esses sentimentos de virem assim, impetuosos e avassaladores. Avalio eu que são coisas da vida e como tal tenho que aprender com o amadurecimento a controlar e deletar de vez da minha cabeça. Ainda bem que não carrego comigo sentimentos de ódio, porque esse sentimento é muito negativo e não nos eleva como seres humanos. As pessoas que odeiam passam pela vida com os punhos cerrados. Isso eu li num texto da internet. Essas pessoas são condicionadas ao ódio e em muitas ocasiões estão apenas imitando as reações de ódio de alguém bem próximo. As pessoas odeiam porque foram e ainda são privadas do amor que desejavam e do amor de que tinham necessidade. Infelizmente aprendem, por meio de triste experiência, que o ódio gera o ódio, que a vingança e o espírito vingativo são qualidades fúteis. “As pessoas odeiam por causa do medo. Sentem medo da morte, de Deus, dos indivíduos e do maior de todos os medos - o medo do próprio medo. Todo psicanalista experimenta este mecanismo de amor e ódio entre os seus pacientes”, diz o texto que eu li e achei muito interessante para deixar uma reflexão no dia de hoje. Escrito por Olívia às 10h03 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Semana do Meio Ambiente Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Ontem teve início a Semana do Meio Ambiente. O dia foi pontuado com diversas atividades que marcaram a data em todo o mundo com plantio de árvores e divulgação de informações para a população sobre as catástrofes da poluição e do degelo das calotas polares. A ONU - Organização das Nações Unidas escolheu Tromsoe, na Noruega, para ser a sede global dos eventos relacionados ao dia, ressaltando o perigo representado pelo derretimento do gelo e da neve. Segundo informações divulgadas nas agências de notícias Reuters e Estadão Online, cientistas divulgaram novas advertências, mas também disseram que está crescendo o movimento político para limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa. “Um novo relatório da ONU informa que o derretimento do gelo e da neve das regiões polares e das montanhas terão efeitos até em países distantes”, diz a notícia. Centenas de milhões de pessoas serão afetadas, com a elevação do nível dos oceanos, com problemas nos rios da Ásia e com o derretimento do Ártico. O texto Perspectiva Global para o Gelo e a Neve, escrito por mais de 70 especialistas, disse que os glaciares estão recuando, o permafrost (terra congelada) está se aquecendo e a precipitação de neve está ficando inconstante em muitas regiões. Partes das regiões polares já estão se aquecendo duas ou três vezes mais rápido que a média global. O enorme Manto de Gelo da Groenlândia está derretendo mais rápido que a formação de gelo novo. Se ele derreter totalmente, os oceanos vão subir até sete metros e aí termos uma grande catástrofe. Se o homem não cuidar da natureza, ela vai se revoltar e dar o troco. Se o nível do mar subir um metro que seja, 20% da população vietnamita, por exemplo, perderá suas casas, disse a ONU na terça-feira. Com tanta notícia ruim a natureza e os ambientalistas não têm muito o que comemorar, a não ser as iniciativas isoladas de alguns abnegados que tentam preservar o habitat onde vivem e procuram viver harmoniosamente. Vários aspectos têm que ser observados como a poluição do mar, dos rios e dos riachos. Em Alagoas, na capital, a Praia da Avenida e o Riacho Salgadinho são os exemplos mais lembrados de descuido com o meio ambiente. E não é só colocar a culpa nos governantes, não. A comunidade tem sua grande parcela de responsabilidade. É só percorrer a orla da Avenida em dia de chuva que se vai constatar a tristeza que é aquilo ali. Lixo na praia e até urubus. Dá vontade de chorar. O Riacho Salgadinho, toda época de campanha política, é alvo de grandes matérias, mas até agora, o que tinha sido feito na administração desastrada da prefeita Kátia Born, foi deixado de lado. O lixo vem descendo de ladeira abaixo, desde o Conjunto Benedito Bentes até desembocar na praia. Córregos como o Riacho do Sapo e outros também despejam suas águas sujas e mal cheirosas no mar. É tanta sujeira que não dá para calcular o desastre que virá nos anos seguintes. Isoladamente, algumas tentativas vêm sendo observadas objetivando a preservação e o equilíbrio ambiental. Em União dos Palmares, um projeto digno de aplauso vem sendo executado desde o ano de 2006, pelas professoras Madalena Soares e Madalena Monteiro, com os alunos da Escola Municipal Mário Gomes. Trata-se do Projeto de Replantio da Mata Ciliar do Rio Mundaú, que está sendo executado na comunidade do Taquari, em um hectare de terra plantada doada por seu Fernando Alves, e já está beneficiando ruas como a do Jatobá e pretende ampliar para a outra margem do rio e para outros municípios que são banhados pelo Mundaú. Por outro lado, o jornalista Josivaldo Ramos lançou outro projeto, dia 20 de maio, intitulado Fênix Mundaú, projeto arrojado que pretende retirar famílias ribeirinhas das áreas de risco, replantar toda a flora do rio, revitalizar e realizar várias atividades no sentido de despoluir o Mundaú. É um trabalho de forminguinha, mas que nos deixa muito otimistas com relação à questão. Se todos fizerem a sua parte, o meio ambiente vai agradecer e as gerações futuras vão desfrutar das benesses do que for feito agora em benefício do ecossistema. Escrito por Olívia às 02h00 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
Antiga Matriz de Santa Maria Madalena, local onde fiz minha primeira comunhão, em foto de arquivo de Ladorvane Cabral. Meu pai tentou impedir a demolição dessa igreja, mas sua tentativa foi em vão.....Eu ainda era criança quando ela foi derrubada... Escrito por Olívia às 01h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O primeiro governo de FHC (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Com o afastamento do presidente Fernando Collor, o vice Itamar Franco toma posse e governa de Em 28 de fevereiro de 1994 o governo lança o Plano Real, tendo à frente o ministro Fernando Henrique Cardoso, criando o real, uma nova moeda. Os aspectos positivos deste plano (queda da inflação) foram verificados de imediato, ainda conforme Florival Cáceres, enquanto que o lado negativo (falência de empresas e o desemprego), só foram percebidos a médio prazo. O ministro FHC tornou-se popular, abrindo caminho para sua candidatura nas eleições de 1994. Em seu primeiro governo Fernando Henrique Cardoso compôs uma frente de partidos, inclusive com o PFL, aceitando Marco Maciel como vice em sua chapa. "A aliança vinculou o PSDB em torno das oligarquias do Nordeste e antigos colaboradores do regime militar", conforme afirma Florival Cáceres. Luiz Inácio foi o principal concorrente de Fernando Henrique e alcançou 42% das intenções de voto no começo da campanha; FHC possuía apenas 16%, segundo as pesquisas, à época. Outros candidatos como Enéas, Orestes Quércia, Leonel Brizola, Esperidião Amin, também estavam no páreo da sucessão. Com o sucesso econômico do Plano Real, Fernando Henrique elege-se presidente, obtendo a maioria dos votos válidos - 55%, enquanto Lula atingiu apenas cerca de 27%. FHC é empossado em 1º de janeiro de 1995 e em seu primeiro discurso como presidente destacou a importância de se atacar as injustiças sociais. No início do governo de FHC houve quebra de bancos, seguido de diversas fusões. Antônio Carlos Magalhães, liderança do PFL da Bahia, passou a sustentar o governo. No geral, as diversas medidas do governo, até mesmo as de cunho social, fizeram avançar a integração capitalista internacional. Para integrar o País às transformações mundiais capitalistas, o governo do Brasil se integra ao Mercosul, formado pela Argentina, Uruguai e Paraguai. O Mercosul responde por aproximadamente 50% da produção industrial da América Latina e 35% do comércio exterior da região. Acelerando a integração ao capitalismo global, o governo favoreceu o fluxo de capitais das multinacionais, transformando o Brasil no principal mercado de investimentos estrangeiros na América Latina. Os projetos de reformulação fiscal e administrativa, visando diminuir gastos governamentais, bem como programas de intensificação das privatizações a partir de 1997, não pareciam ser suficientes para garantir a normalidade econômica do País. Neste contexto, o governo acelera as privatizações na área de telecomunicações, eletricidade e exploração de minérios, como a Companhia Vale do Rio Doce, além de programas de demissões voluntárias de funcionários públicos federais, aumentando o índice de miserabilidade. Também no início do governo FHC ocorreram sérios conflitos de terra, levando o governo a acelerar o processo de desapropriações de terras improdutivas. As entidades representativas de mulheres, no Brasil e no Estado, passaram a atuar de forma burocrática e no campo dos estudos, a partir do desligamento das ativistas feministas do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres durante o governo Collor. Essas entidades, embora existentes no papel, praticamente congelaram suas atividades de rua e de bairro. Durante o período de 1989- Escrito por Olívia às 00h48 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Eu e Jam (*)
Olivia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Houve um tempo em que eu e Jam (nome fictício) saíamos com freqüência, muitas vezes chegávamos em União sem mamãe esperar, altas horas da madrugada, depois de termos virado a noite bebendo, em companhia de nossos amigos. Era um passeio que gostávamos de fazer: chegar em União de surpresa. E mamãe, quando estava de bem conosco nos dizia que: “Deus faz, o vento espalha e o diabo junta”, numa referência a nós dois que gostávamos de saborear as mesmas coisas, em companhia de nossos amigos. Por certo se fosse hoje em dia não poderíamos mais fazer isso devido ao índice de violência que está alto. Nós quase não brigávamos e quando o fazíamos era sempre eu a procurá-lo para fazer as pazes porque, assim como minha avó Olívia com meu avô Manoel, eu não conseguia ficar com raiva dele por muito tempo. Na nossa intimidade era sempre eu quem demonstrava afeto e o meu querer e dizia o quanto gostava dele. Era sempre eu a ceder, a reconhecer a culpa, mesmo que na maioria das vezes eu tivesse razão. Na tentativa de viver harmoniosamente com Jam, concordei quando ele me disse que ia trazer a filha dele com Lúcia, uma auxiliar de lanchonete, para passar uns finais de semana conosco, porque não acho que a criança tenha culpa dos erros dos adultos e fiquei até contente com a idéia. Mas foi tudo fogo de palha, ele nem trouxe a menina. Tenho a impressão que se eu tivesse me colocado contra essa idéia dele, ele teria ficado com raiva e tinha feito tudo para me contrariar, da mesma forma que eu me coloquei disposta a recebê-la, ele não a trouxe. Lúcia, aconselhada por alguns amigos de União, denunciou Jam na Justiça para que ele pagasse a pensão de Jéssica. No dia da primeira audiência, o advogado da vara de família que o atendeu era um primo meu, promotor, tio da mesma prima que o flagrou na casa da amante, e ele ficou sem ação. Meu primo então se retirou da questão. Mas Lúcia, creio eu, desistiu do seu intento de insistir com a pensão e foi para São Paulo passar um tempo por lá e a causa foi abandonada. Não tive mais notícias dela. Fazendo uma retrospectiva de tudo o que passamos, eu ainda não consegui absorver direito em que parte do nosso relacionamento eu falhei deixando que tudo acontecesse dessa forma em minha vida. Em nossa casa ele gostava de fazer comidas diferentes e especiais para nós dois. Ele gostava de cozinhar e ficava todo orgulhoso quando eu elogiava os seus pratos especiais: macarronada, lasanha, comida japonesa, carne assada, saladas mistas com frutas e legumes, ou sopa. Tudo o que ele cozinhava era bom e bem feito. Nas festas que fazíamos na rua, ele era sempre o churrasqueiro e não gostava quando alguém desse algum palpite no que estivesse preparando. Antes de se envolver com a amante, a que lhe deu outro filho, ele vivia completamente integrado na nossa rua e a vizinhança gostava dele. Ficava até tarde da noite conversando com os vizinhos, mas depois que começou o seu caso com ela mudou completamente com todos, porque sabia que os moradores tinham conhecimento dos seus envolvimentos amorosos. Vivia uma vida dupla e tinha receio de que as pessoas me contassem. Passou a se refugiar em nosso quarto e só descia para comer ou quando ia embora para União dos Palmares. Deixou de cumprimentar a vizinhança, de forma que todos passaram a estranhar o seu comportamento. Quando eu começo a pensar em todos esses anos vividos, eu sempre me questiono: em que momento eu errei de conduta? Quando foi que eu baixei a guarda e permiti que tudo isso me acontecesse? Porque não tem sensação pior do mundo do que a gente se sentir derrotada, desrespeitada, traída e desprezada. É um sentimento muito humilhante que aniquila todo o amor próprio que possa existir dentro da gente, ainda mais quando já se tem dentro de si sentimentos de baixa auto-estima, como os que eu sempre carreguei comigo. Por estranha ironia do destino, eu que lutei tanto pelos direitos da mulher, pela sua libertação, contra a violência, e contra a escravidão doméstica a que ela foi e é submetida, fui atingida dessa forma tão cruel e sem aliviamento das minhas dores. Posso ter errado, no que se refere ao meu relacionamento com Jam, por ter concordado em vivermos um tipo de relação diferente, sem muita rotina, sem as convenções sociais e burocráticas de um casamento em cartório e na igreja, mas a minha sogra tinha razão quando num dos poucos telefonemas que me deu, me interrogou se eu ia permitir que Jam vivesse em União e eu em Maceió, talvez porque ela conhecesse tão profundamente o filho. Hoje eu avalio que para um relacionamento ter harmonia o casal tem que viver sua rotina mesmo, enfrentando tudo, todos os desentendimentos de uma vida em comum. Eu quis levar um relacionamento aberto e sem muitas cobranças, para não imitar os modelos que eu contestava durante o tempo de militância política. Mas enquanto eu lia e me aprofundava nesse assunto e ao mesmo tempo escrevia artigos abordando a causa da mulher, como os preconceitos contra ela, a violência e a alienação, eu não via a minha realidade conjugal. Enquanto eu estava na rua reivindicando direitos, protestando contra o sistema e pelo impeachment do presidente, meu marido estava se envolvendo com outras mulheres e vivendo uma outra realidade, se comportando como se fosse um homem sem compromissos e vivendo aventuras amorosas, talvez para mostrar para ele mesmo e às outras pessoas, que era o macho dominante da relação e que era ele quem mandava “no frigir dos ovos”, como se diz popularmente. Eu não me arrependo da minha participação nos movimentos políticos e sociais, mas deveria ter entendido que o contexto da minha vida conjugal, desde o começo, havia começado pelo avesso. Fiz tudo ao contrário das conveniências estabelecidas pela sociedade, diferente do que faria uma mulher sem tantos sonhos e sem tantas indagações e questionamentos como eu tinha sido em todo aquele processo... (* Capítulo de Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 00h43 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] De volta ao curso Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Quando mamãe melhorou e pôde voltar para União, eu fui com ela e passei uns dias por lá, mas precisava retomar minha vida e voltar à faculdade e para o meu estágio no Projeto Rondon, já que eles continuavam a me pagar o salário mínimo, enquanto eu cuidava da minha mãe. Às vezes ela dizia que mais antes tivesse tido uma filha analfabeta que pudesse tomar conta dela e ficar ao seu lado o tempo todo. Minha mãe, realmente, não me entendia. Voltei à minha rotina, mas os amigos que tinham ingressado comigo na Ufal já estavam adiantados, em outro período. Ganhei novos amigos e foi aí que selei uma grande amizade com Niviane Rodrigues e com sua família. Começamos a nos reunir para elaborar a nossa monografia de conclusão do curso, que hoje é chamada de TCC – Trabalho de Conclusão de Curso. Nessa época, dona Jacy, mãe de Niviane, me mandava almoço e Niviane me pagava o lanche na Ufal, pois eu estava sem mesada, ainda, e mamãe continuava com suas relutâncias com relação a Jam. Em 1988, eu e Niviane fomos trabalhar no jornal Gazeta, na função de revisoras. Era o nosso primeiro emprego na profissão, e Nos últimos dias do governo Sarney, final de Para nós era a concretização do nosso maior sonho: a formatura Em 1989, as mulheres alagoanas realizavam a I Semana da Mulher Universitária, no período de No evento também compareceram Jô Moraes, presidente da União Brasileira de Mulheres e membro da direção do PCdoB nacional, que discorreu sobre o tema “Histórico e Avanços da Luta da Mulher”; Fúlvia Rosemberg, psicóloga, professora da PUC-SP, falou sobre “A Mulher no Contexto Educacional e Profissional”. Nos temas abordados, foram colocados vários aspectos com relação à temática feminina, que foram enriquecedores para o momento vivido. A conferência, além de ter sido produtiva, trouxe elementos novos para a vivência das mulheres alagoanas, naquele momento. A I Semana da Mulher Universitária não se ateve apenas às conferências, foram realizados debates, com mesa-redonda nos diversos departamentos da Ufal, em eventos paralelos, nos dois horários. Na mesma época, a União Brasileira de Mulheres lançou campanha pelos direitos da mulher trabalhadora, visando denunciar e combater as discriminações. A campanha teve como objetivo esclarecer a sociedade e, em especial, as mulheres, de que o trabalho é um direito a ser assegurado em qualquer circunstância de sua vida. Para isso daria destaque aos direitos assegurados na nova Constituição brasileira, particularmente a licença-paternidade e a licença-maternidade. Eu procurava comparecer a qualquer evento que me acrescentasse informações sobre a minha conscientização política. Em 15 de novembro de 1989 foi realizado o primeiro turno das eleições presidenciais, depois de uma ressaca de vinte anos sem democracia e de ditadura militar. Seria a oportunidade para os brasileiros escolherem quem comandaria o destino do País. Mas uma aliança entre os interesses estrangeiros e os interesses dos conservadores nacionais, resultou na eleição de Fernando Collor de Mello. Foi quando se deu a minha primeira saída do jornal Gazeta. Collor foi eleito usando de todos os artifícios que o marketing da propaganda oferece e obteve 42,75% dos votos, contra 37%,86 obtidos por Lula, seu principal opositor. Era o início da era Collor que durou de 1990-1992, culminando com o impeachment. Ele tomou posse à Presidência do País pregando a modernização; seu primeiro ato quando assumiu foi nomear mulheres da alta sociedade para dirigir o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, "colocando uma pá de cal em todas as lutas do movimento feminista", conforme denunciou Marta Suplicy à época na imprensa nacional. Um novo plano de combate à inflação foi lançado pelo novo governo - o Plano Collor, divulgado no dia seguinte à posse. Este plano reintroduziu o cruzeiro e instaurou o congelamento imediato de preços, seguido da liberalização e livre negociação de salários. Collor promoveu o confisco de todas as contas-correntes, poupanças e demais investimentos que excedessem os 50 mil cruzeiros. Minha tia Osória foi uma vítima do Plano Collor. Tinha vendido uma casa em União e colocado o dinheiro na poupança. A coitada quase endoidou por conta disso. O confisco durou 18 meses. Além desses fatos, o governo de Fernando Collor cortou gastos públicos, demitiu funcionários públicos e aumentou exageradamente todos os impostos. As medidas de Collor fizeram acelerar as demissões de trabalhadores em todos os setores da sociedade. No final de Surgem denúncias de que Paulo César Farias, amigo pessoal do presidente e tesoureiro da sua campanha à Presidência, "estaria pressionando dirigentes da Petrobras para realização de negócios contrários aos interesses da empresa, mas favoráveis a grupos particulares", conforme denuncia o historiador Florival Cáceres no livro História do Brasil, 1ª edição - Editora Moderna, 1993. Em junho de 1992, o Congresso Nacional instalou uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito, para apurar o esquema PC. A partir daí, o governo Collor começou a cair. A CPI teve início com as acusações do irmão do presidente, Pedro Collor, e se aprofundou com as declarações do motorista Eriberto França. Nem os desmentidos das famosas secretárias impediram as conclusões da Comissão. Enquanto pregava austeridade, Collor cortava gastos do governo, arrochava os salários e ampliava a multidão de desempregados. O presidente vivia luxuosamente na “Casa da Dinda”, moradia oficial do governo. A sociedade civil organizada, diante das denúncias de corrupção e luxúria do presidente começa a se mobilizar, dando início às ações que exigiam o afastamento do presidente. Em março de 1992, o Sindicato dos Bancários de Alagoas realiza um ato, juntamente com representante da classe estudantil, sugerindo o afastamento de Collor. Eu fiz as filmagens e as fotos desse ato político, que depois virou um vídeo produzido e editado por Alberto Casagrande, da CUT e co-produzido por mim. As mulheres tiveram participação ativa nessas manifestações. Em 16 de setembro deste mesmo ano, o presidente, em rede nacional, convoca a população a apoiá-lo, pedindo que fosse às ruas vestindo verde e amarelo, como forma de nacionalismo. Naquele dia, milhares de pessoas, mulheres e homens, se vestiram de preto, exigindo o afastamento de Collor, que veio a acontecer em 29 de setembro de 1992, com a votação pela Câmara dos Deputados, que decidiu pelo impeachment por 441 votos contra 38. O vice Itamar Franco assume o cargo. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 00h01 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Mamãe adoece (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Quando eu já estava cursando o quinto período de Jornalismo, estagiando como bolsista no setor de Comunicação do Projeto Rondon, mamãe adoeceu e precisou se internar na Casa de Saúde Paulo Neto para se submeter a uma cirurgia do esôfago, pois a Doença de Chagas tinha lhe afetado esse órgão. No dia da cirurgia eu fui para o hospital, mas nem na hora de ir à sala de operação ela falou comigo. Mamãe estava com o esôfago colado por conta do Mal de Chagas que lhe atacou, em primeiro lugar o intestino grosso e, depois, o esôfago. A Doença de Chagas é provoca pela mordida de um besouro apelidado de barbeiro, que se aloja nas brechas das casas de taipa. E da mesma forma que minha mãe tinha morado na roça, nesse tipo de moradia, tinha sido mordida pelo besouro contaminado. Hoje em dia já se descobriu que existem outras formas de contaminação pelo barbeiro, além da mordida: pelo leite materno ou por meio do consumo de alimentos contendo restos do besouro ou fezes. A doença de Chagas ataca três órgãos vitais da pessoa: o coração, o intestino e o esôfago, até onde li sobre o assunto. A cirurgia de mamãe durou cinco horas, e, no outro dia, quando fui visitá-la estava numa enfermaria pobre, como se fosse indigente, e a sonda arrastava no chão, o que lhe causou uma grave infecção hospitalar e ela teve que se internar, às pressas, no Hospital dos Usineiros. Ela optou por ficar em enfermaria, porque não tinha um plano de saúde e não quis vender uma das casas de União, para não se desfazer dos bens. Quis fazer economia e terminou quase morrendo. Mamãe respirava muito pouco, pois a infecção afetou os seus pulmões. Como não tinha outro jeito, teve que me aceitar lhe fazendo companhia no hospital e, durante um mês, fiquei quase que morando no Hospital dos Usineiros, acompanhando seu estado de saúde. Nessa época, ela baixou a UTI três vezes e todos diziam que não ia escapar. Eu e meu companheiro ficamos sem nos ver durante quase todo esse tempo, e, de vez em quando, eu combinava com alguém, primo ou amigo, para ficar com mamãe, para que eu pudesse me encontrar com ele às escondidas, como se tivesse cometendo algum crime. Ele chegou a doar sangue para minha mãe, mas seu sangue não serviu porque é do tipo A negativo e o de mamãe O positivo. Minha prima Silvia Correia doou o dela, que lhe serviu. Os médicos não davam muitas esperanças, mas diziam que iam tentar de tudo para que ela se recuperasse e tiveram que fazer uma drenagem nos pulmões, cerrando-lhe três costelas. Eles colocaram cinco pedaços de mangueira de plástico, sustentados por broches de fraldas de bebê, no corte que ficava aberto, para sair a secreção que tinha um mau cheiro insuportável. Minha mãe estava apodrecendo viva e suportar aquilo tudo era muito doloroso para mim, como está sendo, agora, reviver tudo aquilo, neste instante. Eu acompanhava as enfermeiras quando elas faziam o curativo e aprendi, como se tivesse num curso rápido e intensivo de auxiliar de enfermagem, a fazer o curativo, do jeito que elas faziam. As enfermeiras dissecaram uma veia de mamãe, para que fossem colocados o soro, a albumina humana e o sangue que ela precisou tomar. Era um quadro muito complicado e meus irmãos e meu pai, junto com minha tia que chegara do Rio, foram até o hospital dizendo que iam levam minha mãe para morrer Quando mamãe teve que ser socorrida na UTI, por três vezes, eu ficava no apartamento do hospital. Enquanto tinha visitas eu ficava bem, mas quando estava só, me incomodava com os gritos dos outros enfermos, que não eram poucos: acidentados, esfaqueados, cancerosos, operados e muitos outros acometidos de enfermidades diversas. Sônia Bonfim, minha cunhada, ia todas as noites dormir no hospital, para que eu não ficasse desacompanhada, com mamãe naquele estado. Eu aproveitava para ler tudo o que me aparecia pela frente. Mas a minha militância política que tinha iniciado na faculdade, ficou enfraquecida e já distante. Mas nem a doença amansou o coração de mamãe. Quando minha família disse para ela que Jam tinha lhe doado sangue, ela ficou revoltada, disse que não queria sangue de negro, e aquelas palavras me magoavam, tal qual o tratamento dela para comigo, que nem suavizava, apesar dos cuidados que eu tinha com ela, e que não me arrependo de ter tido, pois eu a amava muito apesar das nossas divergências. Depois de um mês, os médicos me chamaram para conversar. Doutor Pinto (pneumologista) e doutor Ariosto (o gastro que fez a cirurgia do esôfago) me disseram que eu podia trazer mamãe para minha casa, em Maceió, mas que eu teria que fazer os curativos, já que havia aprendido com as enfermeiras como fazê-lo. A princípio me deu medo, mas depois fiz o que tinha que ser feito. Saí do hospital e preparei minha casa simples para receber minha mãe e meu pai, que também veio ficar conosco. Eu procurava agradar de todo o jeito, fazia-lhe vitaminas especiais, com todos os ingredientes que tinha direito, mas nada agradava a ela. Durante esse tempo, ela trouxe uma moça, a Fernanda, que na verdade se chamava Maria José, mas tinha vergonha do seu nome, ela era do interior, para nos ajudar. Fernanda era um pouco atrapalhada. Era irmã de José Dalvino, o homem que tinha cometido o assassinato das duas biólogas paulistas, em Piaçabuçu, que ficou conhecido como “o monstro do Peba”, crime que repercutiu muito no País inteiro. Mas Fernanda se colocava em defesa do irmão e dizia que ele era inocente. Era uma boa menina e fizemos amizade. Ela cuidava da minha humilde casa e eu dos serviços de enfermagem que precisava fazer O mau cheiro que inalava na hora de trocar os curativos de mamãe era muito forte, mas eu precisava reagir e não deixar me levar pela emoção. Era tão ativo que dava a impressão que havia morrido algum animal, que estava em estado de decomposição, em minha casa. Quando terminava de fazer o curativo eu ia lavar os lençóis e chorar, de tristeza, por ver que a minha mãe, aquela que me dera vida estava apodrecendo viva. Aconteceu em 1985, quando minha sobrinha Patrícia, filha do meu irmão Paulinho e Iolanda, estava nascendo, no Hospital do Sesi, nessa mesma época. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 00h34 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Servidores da Assembléia Legislativa protestaram nesta terça-feira, na porta da Associação Comercial de Maceió, local onde estão sendo realizadas as sessões legislativas; eles reivindicam o Plano de Cargos e Carreira do servidor, 9,22 folhas que estão em atraso e dizem que se até esta quarta-feira a Mesa Diretora não resolver o caso, eles paralisam a Casa. Receberam apoio dos deputados Judson Cabral, Jefferson Morais, Dino Filho, Flaubert Torres, José Maria Tenório e George Clemente que fizeram discursos acalorados e em favor da causa dos trabalhadores. Escrito por Olívia às 00h21 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Maus-tratos contra a mulher
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Ofensas, xingamentos, violência, abuso sexual e pressão psicológica são fatores observados e denunciados todos os dias contra as mulheres. Na edição de sábado último, 31 de maio, a Tribuna Independente publicou matéria da repórter Alinne Mirelle sobre a criação pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. É mais uma entidade ou instituição para dar suporte às mulheres violentadas para se defenderem. Além desse juizado de Alagoas, as mulheres têm também em seu favor a Lei Maria da Penha e as delegacias especializadas. Mas para que esses mecanismos de proteção se tornem funcionais é necessário que se denuncie esses maus-tratos. De acordo com a matéria de Alinne Mirelle, cerca de 370 ocorrências por mês são registradas, sendo elas mais comuns de lesão corporal e ameaças veladas. Não é de hoje que acontece a violência às mulheres, bem sabemos. Mas parece que quanto mais a sociedade avança, mais perseguição elas sofrem. Parece que estamos vivendo uma verdadeira caça às bruxas, que foi uma perseguição social e religiosa iniciada no final da Idade Média e que atingiu o seu apogeu na Idade Moderna. Mas em pleno século XXI, mesmo com tantos mecanismos de proteção no campo judiciário, parece que os homens estão passando por um processo de regressão e retrocesso moral, social e psicológico semelhante ao que havia no passado tão distante. Onde já se viu isso? Uma sociedade que conseguiu avanços positivos em sua legislação, que tem no currículo séculos de luta contra o preconceito e a discriminação, ainda se deparar com atitudes de homens das cavernas. Sinceramente eu não consigo assimilar esse processo. Poderíamos argumentar que a violência se dá pela falta de perspectiva de vida, pela miséria e pelo desemprego. Mas também poderíamos dizer que a sociedade como um todo está carente de amor, de fraternidade, de solidariedade e de educação doméstica e familiar. As drogas estão avançando e penetrando cada dia mais nas comunidades, e esse também é um dos principais fatores a serem observados. Não há mais limites para nada que se coloque na família e na escola. As professoras são agredidas nas escolas e nas comunidades; da mesma forma, profissionais que atuam nessas áreas como os médicos e agentes comunitários de saúde. O que podemos fazer para melhorar a convivência em sociedade e sendo assim o tratamento que é dado às mulheres? Talvez tudo isso seja pela falta de fé, de esperança, a falta de Deus nos corações de homens e de mulheres para que se tenha uma sociedade mais justa, mais humana, mais fraterna e mais solidária. Escrito por Olívia às 13h06 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Participação política (*)
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Em 1982 me empenhei na campanha do candidato José Costa (MDB), ao Governo do Estado, contra a ditadura militar, Quando entrei na faculdade, mamãe me alertou que eu tivesse cuidado e não fizesse amizades com os comunistas; foi com quem primeiro me engajei na Ufal, logo no primeiro dia de aula. Conheci os companheiros que faziam parte do Centro Acadêmico de Comunicação Social – CA, que eram integrantes do PCdoB e simpatizantes, e os do Diretório Central dos Estudantes - DCE. Nessa época o partido era clandestino e estava na ilegalidade. Estávamos ainda sob o manto da ditadura militar e o presidente do Brasil era João Baptista Figueiredo. Mesmo sem ter muita clareza do que fosse ser comunista, de cara simpatizei com os novos amigos e passei a freqüentar as reuniões da diretoria do CA: fosse na própria Ufal, ou no DCE, que funcionava num casarão antigo, na Rua do Imperador, Naquela época, na Ufal, havia uma briga acentuada entre os companheiros do Partido Comunista do Brasil - PCdoB e os do Partido dos Trabalhadores – PT. Eu achava estranho, mas como me relacionava muito melhor com os camaradas do PCdoB, acabei me filiando, mas me questionava: se eram de oposição e de esquerda, por que tanta briga? Mais tarde é que comecei a me inteirar melhor das questões sobre o socialismo e seus teóricos: Engels, Marx, Lênin Stalin, Trotsky, o capitalismo e suas contradições. A briga era tão feia que às vezes chegava à baixaria. Em época de eleição, do DCE e dos Centros Acadêmicos, valia de tudo. Participei de uma das diretorias do CA de Comunicação, na chapa Travessia, no cargo de tesoureira, mas no processo eleitoral, surgiu uma suposta denúncia de uma das simpatizantes da outra chapa que se opunha à nossa. A colega disse que eu tinha desviado o hoje equivalente a R$ 10 para comprar um sapatinho de lona amarelo, que eu tinha recebido de presente do meu companheiro Jam. Aquela acusação me magoou muito e fiquei muito chateada com a companheira de curso, mas depois relevei. Fazíamos festas quase toda a semana em minha casa, a de número 14, na Vieira Perdigão. Eram festas improvisadas, definidas quase sempre nos intervalos das aulas, quando ficávamos ouvindo nosso amigo Fábio Henrique Gomes tocar violão e cantar as músicas de Chico Buarque, que tanto gostávamos, no CTEC da Ufal, onde tínhamos a maior parte das aulas. Integrei-me de imediato ao ambiente universitário e ao curso. No segundo período, encarei uma greve dos professores, por um período de três meses, que estavam em campanha salarial e protestando contra a ditadura militar e o governo do general Figueiredo. Eu me sentia tão adaptada a tudo aquilo, que logo comecei a participar dos atos políticos e entendi que aquele processo estava correto e aquelas pessoas, de certa forma, pensavam como eu. Eram contestadores e rebeldes, como eu tinha sido durante toda a minha adolescência e aquilo me agradava, porque passei a entender que eu não era tão errada assim, na minha forma de ver o mundo, já que outras pessoas raciocinavam “da mesma maneira que eu”. Comecei a freqüentar as reuniões da fração de comunicação do PCdoB e, numa grande passeata contra a ditadura militar, feita pelos partidos de esquerda, democratas, socialistas, anarquistas, intelectuais e todas as tendências da cultura, lá estava eu, vinda de União dos Palmares, sem saber com profundidade quase nada de política, toda emocionada e empolgada, vendendo a Tribuna Operária, jornal do partido, que também era clandestino. Fiz muitas amizades naquela agremiação partidária, mas na eleição para governador, quando o partido apoiou Fernando Collor de Mello, comecei a refletir melhor. Depois, na composição que elegeu o governador Divaldo Suruagy e Manoel Gomes de Barros como vice, o Mano, meu conterrâneo, escrevi um artigo que foi publicado na Gazeta e depois no Jornal de Hoje, intitulado “A crise no PcdoB”, que causou uma reação muito forte da direção local do partido e quase fui demitida da empresa onde trabalhava e só não saí porque Joaldo Cavalcante, então presidente do Sindicato dos Jornalistas me convidou para fazer parte da chapa e concorrer às eleições no sindicato da categoria. Diante da ameaça do desemprego, recebi também o apoio do então presidente do Sindicato dos Urbanitários, Paulão, hoje deputado estadual pelo PT de Alagoas, que ligou para mim, solidário, dizendo que eu contasse com ele e que eu não me intimidasse diante de ameaças. Alguns dirigentes do diretório municipal do PCdoB foram ao jornal Gazeta, onde eu tinha trabalhado como revisora, falar com o irmão de Fernando Collor, Pedro Collor, para que não saísse mais nenhum artigo meu no jornal, e assim foi feito. No artigo eu pedia que rasgassem minha ficha de filiação e houve muita polêmica e críticas de alguns companheiros militantes. Alguns me criticaram ferrenhamente, dizendo que eu estava sendo manobrada e manipulada por outras forças reacionárias e de direita e tudo o mais. E enquanto mais eu era insultada em meus posicionamentos, mais eu sentia vontade de escrever sobre o assunto e a verve da escrita aflorava a cada dia. Eu nunca tive nada de pessoal contra os governadores Suruagy e Mano, como deixei claro no artigo, mas se o partido era ideológico e sempre seguiu uma linha de esquerda, eu questionava, em meu escrito, como é que iria se aliar com duas pessoas que a direção sempre considerou de direita? Fui aprendendo que em política é assim mesmo e tudo depende do momento, das circunstâncias e da famosa “conjuntura”, como eles sempre afirmam. Tudo depende “das forças conjunturais”. Eu era muito radical e contrária a qualquer tipo de aliança que fosse mais à direita, que destoasse com os ideais que eu defendia, os de esquerda, com os mais conservadores, porque não conseguia encontrar lógica nem afinidade naquelas alianças. Hoje tenho outra visão de todo o processo político e avalio que as alianças, muitas vezes, são necessárias, embora ainda acredite que elas devam ser feitas com muita cautela e observância de alguns princípios. Na realidade prática da vida, não se pode ser assim tão radical como eu era, avalio eu, hoje, senão os partidos de esquerda nunca teriam chegado ao poder que tanto sonharam: o poder para transformar a sociedade. Assim como aconteceu como o presidente Lula, que se não tivesse feito as alianças que fez, não teria chegado a ser o nosso tão sonhado presidente. Existem pessoas em determinadas correntes políticas no Brasil que, ainda hoje, defendem a teoria do quanto pior melhor para ter o motivo de criticar e dizer que estavam certos. Eu raciocinava um pouco como os anarquistas, socialistas utópicos, sonhava que pudesse haver uma sociedade livre de convenções sociais pré-estabelecidas e impostas, uma sociedade imaginária, sempre justa, de o tudo poder fazer sem a intervenção de terceiros, a liberdade acima de qualquer coisa, sem modelos convencionais e com camisa de força. É uma teoria belíssima, mas que jamais vai poder ser colocada em prática, porque uma sociedade não pode viver sem governantes e governados, embora tenhamos sonhado muito com esse ideal. Passei a repensar meus conceitos e teorias ideológicas. Logo quando ingressei na Ufal e no partido, eu queria que meu companheiro absorvesse aqueles meus conhecimentos recém-adquiridos e que ele compreendesse todo aquele processo. Sendo assim, eu fazia resumos dos livros teóricos que lia, sobre ideologia, socialismo, capitalismo, entre outros temas, e passava para ele, na esperança de que ele fosse ler e entender tudo aquilo, da mesma forma que eu estava aprendendo. Jam me acompanhava nos finais de semana para os encontros e solenidades que houvessem promovidos pelo partido, na área cultural, em torno de todo aquele novo mundo meu, e aquela participação dele me deixava empolgada, embora no meu íntimo eu soubesse que ele não alcançaria tudo aquilo teoricamente e que só participava por minha causa, que para mim já era um lado positivo. Meu companheiro era cavalheiro e gentil comigo, nos primeiros anos do nosso namoro, chegava a ser galanteador, mas com o tempo e com o desgaste da nossa relação, foi se modificando e às vezes eu percebia sua volubilidade quando estávamos acompanhados de algumas amigas ou quando se aproximava de alguma mulher que fosse mais interessante, e aquilo começou a me incomodar. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 01h04 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Lembranças (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Os fragmentos de todos esses acontecimentos às vezes retornam como num filme, pedaços de lembranças nem sempre dispostos em ordem cronológica e concatenada. Vivências de momentos que ainda estão vivos e que às vezes se revelam com uma intensidade tão profunda que chega a doer no fundo da minha alma. Saudade dos anos de encantamento e da poesia, dos sonhos e da utopia, do mundo romântico que só existiu na minha cabeça sonhadora e idealista. Durante quase 20 anos eu vivi uma mentira, achando que era feliz, mas eu tinha me enganado. Em todo esse tempo eu procurei não repetir o modelo que me tinha sido passado pelos meus antepassados. Eu queria viver uma realidade diferente, para a nossa relação não cair no desgaste, com ele mesmo repetia. Jam só vinha para casa às sextas-feiras, porque durante a semana trabalhava numa loja de eletrônica, Vivemos momentos bonitos e de muito prazer. Nossos dias de namoro foram dias diferentes, apesar de todas as dificuldades que passamos. Quando eu entrei na faculdade, em 1983, Jam se aproximou de mim; como somos conterrâneos, ficavam fáceis os encontros, as vindas dele a Maceió para encontrar comigo, quase todos os dias da semana, fato que terminou me convencendo de que alguém pudesse vir a gostar de mim. Deixei-me levar pelo bom papo dele, apesar da simplicidade e do jeito que ele falava. Quando dei por mim, estávamos morando juntos; eu já estava com 24 anos, indo de encontro a toda a minha família, novamente, por questões de preconceitos e outros fatos que eu não tenho o direito de aqui abordar. Jam é descendente de negros, de família simples, mas nunca dei importância para isso. O pai dele era conhecido da família; minha mãe, quando morávamos na Rua da Ponte, gostava de conversar com ele, fazia brincadeiras, quando passava em sua tenda: o pai de Jam era sapateiro e veio a ser o meu sogro; um homem simples, mas muito querido. Era quem consertava os nossos sapatos e me fazia sandálias da moda. O tempo foi passando e fomos nos envolvendo, mas quando mamãe soube que eu estava “ficando” com Jam, como se diz agora, não aceitou. Ela era muito preconceituosa, da mesma forma que o meu avô Manoel, meu bisavô Tibúrcio e meu trisavô Silvestre. No início do meu namoro com Jam coloquei para ele toda a minha história de vida, esta que estou colocando agora, e acrescentei a minha história com Franklin e tudo o que minha família tinha feito para nos separar. Expus para ele que eu sempre fui muito complicada e problemática, mas ele insistiu e disse que não tinha importância, que gostava de mim e que queria ficar comigo “até o final da vida”, palavras dele, e eu acreditei. Ele, então, me pediu que eu nunca o traísse, pois tinha alguns traumas familiares a esse respeito, mas foi ele quem me traiu. Quando mamãe soube que eu estava namorando Jam passou dois anos sem falar comigo, da mesma forma que meu irmão mais velho. Minha mesada foi cortada e também minha feira, que ela mandava toda semana. Passei a vender bolos e salgados na faculdade e meu namorado Jam pagava o que eu comprava fiado, na mercearia da minha tia Josefa Correia, a tia Zefinha. Mamãe voltou a tomar atitudes tão radicais comigo que se tivesse agido de outra forma, a história talvez tivesse sido diferente. Um dia ela veio a Maceió e, aproveitando a minha ausência em casa, pediu a meu irmão que forçasse a janela e levou alguns poucos objetos que eu tinha, inclusive a televisão. Eu só tinha uma mesa, o fogão e a geladeira, uma estante e uma rede. Disse para toda a família que ia me deserdar, como se tivéssemos alguma grande herança, a não ser a casa da Tavares Bastos, que era no meu nome e que ela, muito tempo depois, me pediu para eu passar para o meu irmão, o que fiz de coração, pois nunca tive interesse em herança nenhuma, se as tivesse que receber. Escrevi um documento, que reconheci em cartório e mandei para ela, renunciando a qualquer coisa que tivesse direito, pois para mim nada de material tinha grande importância. Nesse dia, liguei para o meu companheiro Jam e ele me disse para eu não me preocupar que resolveríamos tudo. Ele ficou me trazendo a feira e pagava minhas pequenas contas, inclusive meus livros da faculdade. A passagem do ônibus para a faculdade eu pagava com o dinheiro que recebia do meu estágio do Projeto Rondon, ou com o pouco dinheiro que arrecadava da venda dos doces e dos bolos, na faculdade, pois Luiz Dantas Valle, meu professor de Jornalismo Gráfico, dava sempre um intervalo depois de duas das quatros aulas que tínhamos dele, para que eu pudesse vender os meus bolos. Passei a comer no Restaurante Universitário, com ajuda da amiga Eunides Lins, que à época era integrante do Diretório Central dos Estudantes da Ufal (DCE), dirigido pelos companheiros do Partido Comunista do Brasil - PCdoB, partido ao qual fui filiada e que me desliguei, anos depois. Nide era minha companheira de luta acadêmica e fomos muito amigas, hoje tendo nos distanciado, depois do racha que houve no partido, mas devo muitos favores a ela e aos meus antigos companheiros de partido. A raiva da minha mãe era tão grande, que um dia ela saiu de casa, em União, numa Sexta-feira Santa, com um canivete escondido na roupa, disposta a ferir a mim e a meu companheiro Jam. Mas os amigos nos ajudavam e quando a avistaram nos comunicaram e nós nos escondemos. Quando eu cheguei em casa para dormir e troquei de roupa, ela entrou no quarto, furiosa, e rasgou minha roupa de dormir, me deixando apenas de calcinha. Mamãe me expulsou de casa e disse que era para eu não entrar mais ali, pois não era mais sua filha e que eu não dissesse a ninguém que o era. Meu pai interveio e disse que, àquela hora, ela não me expulsaria de casa, se quisesse me mandar embora, que mandasse pela manhã. E assim foi feito. Cinco horas da manhã da segunda-feira, eu voltei para Maceió e, durante dois anos, como sou muito insistente e não costumo alimentar raiva por muito tempo, ia para União e ficava na porta de casa. Meu pai conversava comigo. Ele no sofá e eu no degrau da porta da frente da nossa casa. Nessa época ele ainda se locomovia, mesmo que com dificuldade. E mamãe, quando escutava a minha voz, se escondia no banheiro, para não me ver. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 19h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Nossa casa (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Mamãe comprou uma casa velha, na Avenida Vieira Perdigão, porque tinha receio de morrer e de me deixar desamparada, como ela dizia, sem ter onde morar. Preocupava-se porque não via interesse por parte de meu marido, no que se referia à melhoria do nosso lar. Depois de um ano da casa comprada, ela resolveu construir e nos ajudar. Pagou o material da obra e a mão-de-obra do trabalhador. Jam acompanhou todo o serviço de perto. Depois da casa construída faltava o piso e passamos quase um ano sem ir morar nela; foi quando Jam vendeu um Fiat azul metálico para comprar o piso e nos mudamos em seguida. Mas desde que nos mudamos para a nova casa, o comportamento dele mudou comigo. Resolveu voltar a morar em União e minha vida não teve mais sossego, passei a culpar a casa pelos nossos desentendimentos e problemas conjugais, porque eu achava que tudo tinha piorado depois que nos mudamos. Mamãe fazia comentários, com insistência, de tudo o que tinha feito por nós, na construção da nossa casa; eu cheguei a me arrepender de ter aceitado sua ajuda. Eu não havia entendido que a atitude de mamãe tinha sido porque ela já sabia de todo o envolvimento de Jam com outras mulheres e, no fundo, ela tinha a certeza de que ele ia me deixar e tinha medo que eu terminasse meus dias sem nada e sozinha, porque também ela não acreditava que eu pudesse caminhar com meus próprios pés e administrar a minha vida e meus problemas diários. Mamãe conhecia todas as minhas limitações, dificuldades e fragilidades, tanto no pessoal quanto na vida prática. Vendo o desinteresse de Jam com a nova casa, comprou móveis para um dos quartos, o de visita, pois nossa casa não tinha quase nada de mobília. E Jam não gostou porque ela fez isso; disse que mamãe estava se metendo demais na nossa vida. Meu marido não sabia que estava se envolvendo com uma mulher que tinha afinidade com parentes tão próximos meus. A amante dele é tia do marido de uma prima, que mora na Perdigão. Foi aí que eu comecei a entender o motivo de o meu companheiro ter mudado tanto de comportamento para comigo. Antes, ele admirava tudo o que eu fazia e me elogiava pela minha profissão, mas passou a ser hostil, indiferente, carrancudo e frio. Já não saíamos mais com nossos amigos Paulo e Niviane, já não íamos mais para canto nenhum, pois quando ele chegava em casa e dizia que estava sempre cansado e preocupado com os débitos. Antes, nós saíamos todos os finais de semana: à praia, à casa dos nossos amigos, para desfiles do bloco dos jornalistas, o Filhos da Pauta, Meninos da Albânia, para barzinho. Mas ele havia mudado. Já não me convidava mais para passear e escolhia os lugares onde deveríamos ir, como se estivesse querendo se esconder de alguma coisa ou de alguém. Passou a refugiar-se em casa, nos finais de semana, no quarto, para assistir televisão e não conversava mais comigo. Ficava calado, o tempo todo; eu perguntava o que estava acontecendo, mas ele dizia que não era nada. Depois desse dia em que ele saiu de casa, passou quatro meses afastado, mas eu fiz de tudo para ele voltar. Precisei entrar na terapia e a médica fazia trabalhos de relaxamento comigo, me ministrou alguns calmantes, mas eu havia ficado mais burra. A depressão havia me arruinado e eu não conseguia raciocinar. Fazia várias ligações num mesmo dia para Jam, pedia que os amigos conversassem com ele, porque eu não queria me convencer de que ele não me amava. Durante a nossa vida a dois eu me sentia confortável ao lado de Jam. Ele me deu amparo emocional e foi por isso que me apeguei tanto a ele porque, no fundo, era como se eu sempre tivesse procurado um porto, onde pudesse ancorar toda a minha insegurança e todas as decepções e mágoas que sempre carreguei comigo. As humilhações que eu passei, as dificuldades financeiras e a carga de frustração só não me levaram à ruína, porque eu sempre tive muita fé em Deus, muito embora em determinadas circunstâncias da minha vida ela tenha ficado abalada. Minha mãe havia me incentivado a mandar Jam embora e elogiava a amante dele. Dizia-me que a tal mulher era uma boa moça, que não tinha culpa de nada e que o culpado de tudo era Jam, pois ele não gostava de mim e tinha outras amantes. Jam passava a semana toda em União dos Palmares e quando vinha para casa já não me procurava como antes, e até me evitava. As desculpas e as mentiras eram sempre as mesmas utilizadas pelos homens, quando estão enrabichados, como dizia meu avô, por outras mulheres. Eu admito que tenha renunciando voluntariamente a muita coisa na vida, pois acabei assimilando o papel da Mariazinha e estava completamente dependente do nosso relacionamento. Eu tinha errado de novo nas minhas atitudes e ao invés de procurar respostas dentro de mim para as minhas indefinições e a minha transformação, havia procurado por meio de outra pessoa, quando a resposta poderia estar em mim, dependendo de cada atitude que eu pudesse tomar para a minha libertação. Mas isto eu estou reaprendendo agora, me dedicando com garra e determinação ao meu trabalho, tentando me realizar profissionalmente. (* Mosaicos do Tempo) Escrito por Olívia às 18h44 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Os preconceitos e a morte de um grande amor (*) Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Jornalista Vivi algumas situações de preconceitos em União dos Palmares. Teve mãe e pai de amigas minhas ou algumas vizinhas que passaram a proibir suas filhas de saírem comigo, porque eu era vista como uma ameaça para a pureza de suas filhas: tinha namorado um hippie. Eu era, na opinião dessas pessoas “muito sabidinha”, porque lia muito e porque não tinha preconceitos com relação às minhas amizades. Ainda no final dos anos 70 para começo de 80 eu apanhei muito. E mesmo tendo terminado o relacionamento com Franklin (nome fictício), continuei gostando dele. Mas mamãe não aceitava aquele sentimento exagerado meu. Tinha uma visão lá na frente, enxergava longe, mas batia-me, só porque sabia que eu ainda gostava dele, como se aquelas surras fossem me fazer esquecê-lo. Procurou o pai de Franklin, que morava numa fazenda, pediu para que ele o impedisse de me ver. Franklin chegou a apanhar do pai com 24 anos. Mamãe procurava monitorar minha vida de uma forma tão ostensiva que me causava dor e revolta. Era como se eu fosse de cristal e ela não quisesse que nenhum homem me tocasse. No casamento da irmã de Franklin eu me comportei muito mal. Bebi em excesso, a ponto de perder a razão e a noção do ridículo, e quase não aproveitei a cerimônia. Chorei muito naquele dia e fui procurar Franklin, mas ele só me admirava como amiga e era um homem maduro. Procurou contornar a situação e eu, a partir daquela data, entendi que deveria esquecer e viver a minha vida de outra forma. Franklin fez várias viagens pelo Brasil afora e anos depois voltou a morar em União dos Palmares. Ele casou e eu compreendi que deveria me interessar por outros rapazes. Nos tornamos bons e fraternos amigos, sua mulher teve três lindos filhos homens, e eu a conheci na enchente do rio Mundaú, em 1989, quando eles tinham ficado desabrigados e foram passar uns dias na casa da irmã dele. Eu e sua mulher passamos a nos relacionar de forma cordial, embora que esporadicamente, mas não tive conhecimento se ele contou para ela a nossa história. Quando eu e Jam (meu companheiro de quase vinte anos) começamos a namorar, Franklin teve com ele uma conversa franca e disse-lhe que cuidasse de mim, que tínhamos namorado e que o nosso relacionamento tinha sido sem sexo, que éramos apenas bons amigos. Explicações desnecessárias, mas que ele achou por bem ter com o meu marido. Franklin foi candidato a vereador pelo Partido da Frente Liberal (PFL), em União, mas obteve quantidade muito pequena de votos e não conseguiu se eleger, porque ele não tinha militância política e nem nenhuma atuação comunitária, ou liderança suficiente que desse suporte para que se elegesse vereador. Era muito popular, muito simpático, mas só isso não bastava. Esse não era o seu ideal, apesar de ele ter espírito de contestação e personalidade crítica diante das questões sociais. Éramos de conversar sobre cultura, música, poesia e outros temas diversos, mas Franklin tinha revolta diante dos traumas da sua infância. Ter perdido o irmão mais velho de forma trágica e depois a mãe foi duro demais pra ele que, de certa forma e involuntariamente, passou a se sentir culpado e rejeitado pela sociedade e por alguns parentes, mesmo tendo recebido apoio de tios, irmãos e primos. Sem querer, ele assumia aquela culpa; nas conversas que tivemos, ele não era de abordar muito o assunto, mas sempre que tratava do tema era com tristeza e revolta. Acredito que todas essas vivências pesaram muito para que ele tenha caído em algumas fraquezas e vícios. Sempre que eu ia a União, aos sábados, já depois de casada, costumava passar no seu local de trabalho, no Mercado Público, para conversar com ele e saber como estava, mas era sempre um diálogo muito rápido, em que falávamos das nossas atividades profissionais e hobbies: escrever, fotografia, poesia, música, leituras, ou das composições que ele estava fazendo. Franklin falava dos filhos com muito carinho e entusiasmo, pois era um pai muito apaixonado. Mantivemos uma relação amistosa, de carinho e amizade, embora que distante. O mesmo tratamento eu mantive com os irmãos dele, pois sempre os considerei como da minha família; eu vibrava quando tinha notícias boas do lado de lá. Em 2 de julho de 2000 Franklin morreu, de um câncer violento: alguns tumores tinham se formado em seu cérebro. Quando eu soube da sua doença, foi às vésperas de sua morte, numa sexta-feira. A notícia me foi dada pelo meu marido. No sábado e no domingo eu fui visitar Franklin no hospital José Carneiro, em Maceió, e ficamos de mãos dadas, ali. No domingo à noite, ele partiu. A mulher de Franklin me ligou e avisou que ele acabara de morrer. Quando recebi a notícia caí em prantos, era como se outra parte de mim estivesse acabado de morrer, um pedaço do meu passado. Da mesma forma que na história do meu conto extraviando, Franklin terminou morrendo, de forma trágica, só que de câncer. Outra maldição que persegue meus entes queridos. No dia da morte de Franklin eu conversei com meu marido e pedi a ele para ir a União, acompanhar o funeral e dar o meu último adeus. Meu companheiro sabia de toda a minha história e foi muito compreensivo comigo, permitindo que eu fosse prestar a última homenagem para o meu amigo, e assim o fiz. Na missa de sétimo dia de Franklin eu escrevi uma mensagem e pedi que fosse lida na cerimônia, mas eu não compareci ao evento. Ao tempo em que eu estava perdendo um grande amigo, fiquei sabendo, por minha mãe, meses depois, que meu marido, companheiro de tantos anos e tantas lutas, a quem eu sempre fui fiel, estava me traindo abertamente em União, envolvendo-se com mulheres de todo os tipos: solteiras, casadas, carentes e outras . Foi um choque que eu recebi, mas eu já estava desconfiada, pois o nosso relacionamento não estava indo bem. Jam tinha mudado comigo. A admiração e o respeito de antes, eu notara que estava acabando e ele já me tratava com muita frieza. Mas o ato daquela revelação feita por minha mãe me trouxe muitos estragos na vida. No mesmo dia em que recebi a notícia, eu coloquei as roupas de Jam em cima da cama, escrevi uma carta e fui para o jornal trabalhar. Na carta eu dizia para ele ir embora. Mas quando cheguei ao jornal, já tinha me arrependido de tê-la escrito e não consegui trabalhar. Liguei para casa e ele informou que estava terminando de colocar as coisas na mala do carro para ir embora pra casa de uma irmã. Entrei em desespero e pedi que fosse me buscar no trabalho. Era uma sexta-feira do dia 30 de março de 2001. Tive uma violenta crise de depressão e vim chorando no carro. Conosco estavam um sobrinho dele e a namorada, que ficaram na minha casa, para dormir, com medo que eu cometesse alguma besteira. Eu chorava e falava, mas Jam negava tudo. (* Memórias do Tempo) Escrito por Olívia às 18h21 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Projeto propõe recuperar mata ciliar do Rio Mundaú
Fotos de Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Olívia de Cássia Repórter Um projeto adotado, desde o ano de 2006, pelas professoras Madalena Soares e Madalena Monteiro, coordenadoras do selo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e realizado por alunos da quinta à oitava série da Escola Municipal Mário Gomes de Barros, de União dos Palmares, está fazendo o replantio da mata ciliar do Rio Mundaú, iniciando pelas ruas do Taquari e nas imediações do Choque, e ampliando para a rua do Jatobá. Amendoeiras, jambo, azeitona, manga, ingá, bambu, ipê roxo, amarelo e rosa já foram plantados na comunidade do Taquari, em um hectare de terras que foi doado por seu Fernando da Silva, conhecido na região como Fernando Alves, um parceiro do projeto de recuperação da mata ciliar do Rio Mundaú, Segundo a professora Madalena Soares, o objetivo do projeto é replantar toda a mata ciliar que fica às margens do Rio Mundaú que se encontra em estado de degradação, mesmo sendo a principal fonte de recursos hídricos do município. “Por enquanto estamos fazendo o replantio das mudas em uma das margens, mas nosso objetivo é ampliar o projeto para o outro lado; queremos dar continuidade envolvendo todas as escolas do município”, observa. Madalena explica que com esse envolvimento das demais escolas, o trabalho ganha corpo e pode ser ampliado para outros municípios onde o rio percorre, a exemplo de Santana do Mundaú, Branquinha e Murici e Rio Largo. “Com o replantio da mata ciliar vai aumentar o nível do rio, melhorando a qualidade da água, aumentando as espécies de peixes e contendo a erosão, evitando assim o assoreamento do rio e funcionando como barreira de contenção em época de enchentes”, ensina. A professora, que tem graduação em biologia, diz que o projeto não poderia ter começado se não fosse a consciência ecológica e a parceria de seu Fernando, morador da Rua do Taquari que doou a área para o plantio e que, além disso, mantém o local quando a equipe do projeto não está presente. “Seu Fernando conversa com os moradores e nos ajuda a conscientizá-los da importância do rio para a comunidade”. CONSCIÊNCIA “Procuro mostrar para os moradores que não devem jogar lixo no rio; outro dia uma moradora ia com três sacos de lixo e eu perguntei aonde ela ia com aquilo. Conversei e a convenci de esperar o carro de coleta, que passa na rua três dias na semana”, conta seu Fernando, que depois de uma grande enchente do rio que derrubou várias casas que eram de propriedade de seu pai, resolveu: ao invés de reconstruir os imóveis, fazer plantação de fruteiras que hoje já dão frutos. Para que o projeto de recuperação da mata ciliar fosse aceito na escola e na comunidade, a professora Madalena conta que procurou outros parceiros para a viabilização da sua idéia: “Procurei o Lagoa Viva, um projeto da Braskem, que deu suporte e a escola abraçou o projeto; a partir do empenho dos professores do Mário Gomes e dos alunos, foi feito o trabalho com atividades educativas de conscientização com os alunos, com textos, poemas, teatro e paródias. Os poemas serão publicados em um livro que já está quase pronto”, diz. “Fazemos visitas periódicas nas casas para verificar o desenvolvimento das mudas que estão plantadas nos quintais dos ribeirinhos; se morrer alguma muda, eles replantam e os alunos vão fazer o trabalho de fiscalização”, explica Madalena, acrescentando que as mudas, principalmente de ingá, são mudas resistentes à força da água em época de rio cheio. Ela avalia que esse projeto que está coordenando é para as futuras gerações. “Daqui a dez anos teremos aqui um parque que terá o nome da escola para que os alunos façam estudos; funcionará como uma espécie de laboratório”, observa. Paulo José é um morador da cidade que participou da visita à área onde o projeto está sendo desenvolvido. Ele observa que esse trabalho dos professores e alunos da Escola Mário Gomes é muito importante para a cidade. “Se todos os moradores tomassem consciência da importância do Rio Mundaú para a cidade, o rio não estaria tão poluído como está agora”. Paulo destaca que com o replantio das mudas haverá equilíbrio do ecossistema “e se houver mais parcerias e mais pessoas envolvidas, daqui a alguns anos essa área vai ficar muito bonita”, diz. Outra área de preservação já está começando a ser utilizada na comunidade e foi doada pelo SAAE – Sistema de Abastecimento de Água e Esgoto do município. “O SAAE doou uma área na estação de tratamento, para que o projeto seja desenvolvido; temos parceiros como: as secretarias de Agricultura, Meio Ambiente e Educação do município, que estão nos dando suporte técnico”, finaliza a professora Madalena.
Escrito por Olívia às 10h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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